sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

TAXONOMIA DE BLOOM: DEFINIÇÃO DE OBJETIVOS INSTRUCIONAIS PARA A FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES

 


 

TAXONOMIA DE BLOOM: DEFINIÇÃO DE OBJETIVOS INSTRUCIONAIS PARA A FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES

 

 

Rochelli Soares Pontes Milanez[1]

 

 

 

Resumo:

 

 

O presente artigo tem como objetivo discutir sobre a integração da aprendizagem colaborativa com a taxonomia de Bloom, numa proposta que incorpore a implementação de tecnologias digitais numa prática colaborativa. Nossa pesquisa teve como tema a definição de objetivos instrucionais para a formação continuada de professores. A metodologia utilizada para nossa investigação foi a revisão bibliográfica, com ênfase nas contribuições de Imbernón (2011), Pereira e Costa (2022), Petrillo (2019) Ferraz e Belhot (2010). Foi possível considerar, através de nossas investigações, que a taxonomia de Bloom é fundamental na estruturação da prática de formação continuada, pois através dela é possível não apenas classificar objetivos instrucionais, mas também direcionar atividades, estratégias e avaliações. Percebemos também que a proposta de prática colaborativa precisa estar alinhada aos níveis de colaboração que envolvem esta prática, pois no desenvolvimento destes níveis, as habilidades desejadas são alcançadas. Foi possível elaborar os objetivos instrucionais que deveriam nortear a prática colaborativa proposta, ou seja, objetivos do curso de formação continuada de professores.

 

 

 

Palavras-chave: Taxonomia de Bloom. Formação Continuada. Prática Colaborativa. Objetivos instrucionais.

 

 

Abstract

 

 

This article aims to discuss the integration of collaborative learning with Bloom's taxonomy, in a proposal that incorporates the implementation of digital technologies in a collaborative practice. Our research had as its theme the definition of instructional objectives for the continuing education of teachers. The methodology used for our investigation was the bibliographic review, with emphasis on the contributions of Imbernón (2011), Pereira and Costa (2022), Petrillo (2019) Ferraz and Belhot (2010). It was possible to consider, through our investigations, that Bloom's taxonomy is fundamental in structuring the practice of continuing education, because through it is possible not only to classify instructional objectives, but also to direct activities, strategies and evaluations. We also realized that the proposed collaborative practice needs to be aligned with the levels of collaboration that involve this practice, because in the development of these levels, the desired skills are achieved. It was possible to elaborate the instructional objectives that should guide the proposed collaborative practice, that is, objectives of the continuing education course for teachers.

 

 

 

Keywords: Bloom's Taxonomy. Continuing Training. Collaborative Practice. Instructional goals.

 

 

 

1 Introdução

 

Uma docência de qualidade envolve entre outros aspectos um compromisso do profissional com a sua formação continuada.

O que se entende por formação continuada, é o processo de aquisição de conhecimentos teórico – práticos após a sua formação acadêmica e ao longo de seu exercício profissional.

A formação docente deve centrar sua atenção em como os professores elaboram a informação pedagógica de que dispõem e os dados que observam nas situações da docência.

Uma formação de professores fundamentada em estabelecer estratégias de pensamento, de percepção, de estímulos; centrada na tomada de decisões para processar e comunicar a informação. A reflexão e o estudo sobre a vida em sala de aula, o trabalho colaborativo e a socialização do professor, são de suma importância para esta formação profissional eficaz. (IMBERNÓN,2011)

Mas como definir os objetivos instrucionais para a formação continuada de professores?

Como utilizar a Taxonomia de Bloom para desenvolver práticas colaborativas de formação continuada?

Estas foram as questões que nortearam nossa pesquisa, cuja metodologia foi a revisão bibliográfica, que segundo Gil (2002, p.44) é desenvolvida com base em material já publicado sobre o tema, constituído principalmente de livros e artigos científicos.

Após a introdução, onde o tema foi contextualizado, tecemos algumas considerações a respeito da Aprendizagem Colaborativa e a Formação de Professores. Logo a seguir, fizemos um paralelo entre a utilização da Taxonomia de Bloom para estabelecer objetivos para a formação continuada e a estruturação dos cursos de formação continuada.

No terceiro capítulo vamos revisar algumas literaturas e propor uma prática colaborativa para a formação de professores.

 


2 Aprendizagem Colaborativa e a Formação de Professores

 

 

A formação continuada de professores envolve a reflexão teórico – prática sobre a própria prática sobre a realidade, troca de experiencias entre docentes para aumentar a comunicação, união de formação a um projeto de trabalho, possibilidade de inovação pessoal e institucional, etc.

De acordo com Imbernón (2011, p.51) a orientação para o processo de reflexão sobre a prática exige uma proposta critica de intervenção educativa, uma análise da prática do ponto de vista dos pressupostos ideológicos e comportamentos subjacentes.

 

Abandona-se o conceito obsoleto de que a formação é a atualização científica, didática e psicopedagógica do professor para adotar um conceito de formação que consiste em descobrir, organizar, fundamentar, revisar e construir a teoria. Se necessário, deve-se ajudar a remover o sentido pedagógico comum, recompor o equilíbrio entre os esquemas práticos predominantes e os esquemas práticos teóricos que os sustentam. Esse conceito parte da base de que o profissional de educação é construtor de conhecimento pedagógico de forma individual e coletiva. (IMBERNÓN,2011, p.51)

Neste sentido, a aprendizagem colaborativa como método de ensino inovador tende a contribuir também para o processo de formação continuada de professores, pois permite que eles atuem de forma ativa na construção do conhecimento.

Conforme    Pereira e Costa (2022) a educação colaborativa defende que a aprendizagem deve ocorrer de maneira proativa e vivencial e não por meio da simples memorização.

O que corrobora com o entendimento de que

 

Uma formação deve propor um processo que confira ao docente conhecimentos, habilidades e atitudes para criar profissionais reflexivos ou investigadores. O eixo fundamental do currículo de formação de professores é o desenvolvimento de instrumentos intelectuais para facilitar as capacidades reflexivas sobre a própria prática docente, cuja meta principal é aprender a interpretar, compreender e refletir sobre a educação a realidade social de forma comunitária. (IMBERNÓN,2011, p.58)

 

O trabalho em equipe demanda o fazer junto, compartilhando os mesmos objetivos e utilizando as diferentes habilidades e os diferentes conhecimentos das diferentes pessoas, mesmo havendo interesses diferentes. (Pereira e Costa,2022, p.03)

 

Os processos de formação não favorecerão a produção criadora, caso ignorem o que não para de ser gerado em configurações críticas sempre diferentes. Imaginar poder abrir mão dessa inteligência prática em favor de estratégias que privilegiam a racionalidade hegemônica no campo da educação e os saberes estabelecidos, tentando neutralizar a história e a intervenção dos trabalhadores como profissionais que tomam decisões, é um equívoco. (FERRAÇO,2008, p.86)

 

Os autores mencionados, reforçam o entendimento de que a incorporação da implementação tecnológica nas práticas colaborativas de formação continuada de professores é fundamental, tanto para a aquisição de conhecimentos teóricos, como para aquisição de conhecimentos práticos que irão favorecer a construção de uma prática pedagógica inovadora e o desenvolvimento de praticas de aprendizagem colaborativa entre seus alunos.

 

3 A Taxonomia de Bloom e os objetivos instrucionais para a formação de professores  

 

A Taxonomia de Bloom é um dos instrumentos cuja finalidade é auxiliar a identificação e a declaração dos objetivos ligados ao desenvolvimento cognitivo, o qual engloba a aquisição de conhecimentos, competências e atitudes.

A definição dos objetivos de aprendizagem e a estruturação do processo de formação, deve oportunizar a reflexão crítica, permitindo a mudança de pensamentos e atitudes.

Ferraz e Belhot (2010, p.421) destacam que é mais fácil atingir objetivos quando estes estão bem definidos, entretanto fica mais difícil, para os discentes, atingirem o nível de desenvolvimento cognitivo, por não saberem exatamente o que deles é esperado durante e após o processo de ensino.

Os objetivos instrucionais para a formação de professores devem ser definidos de forma clara e estruturada, considerando a aquisição de conhecimentos e competências que fazem parte de seu perfil profissional.

 

Taxonomia é um termo bastante usando em diferentes áreas e, segundo a Wikipédia (2006), é a ciência de classificação, denominação e organização de um sistema pré-determinado e que tem como resultante um framework conceitual para discussões, análises e/ou recuperação de informação. Segundo Bloom et.al., vários pesquisadores utilizaram-se dessa terminologia conceitual baseada em classificações estruturadas e orientadas para definir algumas teorias instrucionais. Duas das inúmeras vantagens de se utilizar a taxonomia no contexto educacional são:

·                      Oferecer a base para o desenvolvimento de instrumentos de avaliação e utilização de estratégias diferenciadas para facilitar, avaliar e estimular o desempenho dos alunos em diferentes níveis de aquisição de conhecimento; e

·                      Estimular os educadores a auxiliarem seus discentes, de forma estruturada e consciente, a adquirirem competências específicas a partir da percepção da necessidade de dominar habilidades mais simples (fatos) para, posteriormente, dominar as mais complexas (conceitos). (FERRAZ e BELHOT,2010, p.422,423)

 

Assim, podemos afirmar que a Taxonomia de Bloom é um ótimo recurso para estruturar e desenvolver um curso de formação continuada de professores.

 

[..] BLOOM acreditava que poderia servir também como:

a)                    linguagem comum sobre metas de aprendizagem para facilitar a comunicação entre pessoas, conteúdo e níveis de ensino;

b)                   base para determinação de um curso ou currículo específico da educação;

c)                    determinação de significados para a congruência de objetivos educacionais, atividades e avalições de uma unidade, curso ou currículo; e

d)                   panorama da gama de possibilidades de qualquer caso particular de ensino ou currículo poderiam ser contrastadas. (PETRILLO,2019, p.07)

 

A formação continuada de professores deve, de acordo com Imbernón (2011, p.51), promover a reflexão sobre sua prática, interpretando, compreendendo e refletindo sobre a educação e a realidade, isso é possível quando há uma linguagem comum, determinação de significados e objetivos, e há uma visibilidade clara do panorama de possibilidades de qualquer caso particular de ensino.

 

4 Prática Colaborativa – Curso de Formação Continuada de Professores  

 

         A nossa proposta de prática colaborativa é a realização de um curso de formação continuada de professores para a inclusão de alunos com Transtorno do Espectro Autista – TEA na escola.

A prática colaborativa será desenvolvida de forma síncrona e assíncrona, com uso de recursos tecnológicos como: vídeos, formulários digitais, blog e podcast.

            Um tema muito relevante e atual é a inclusão de alunos com TEA, a formação de professores é um dos primeiros requisitos para uma inclusão efetiva em sala de aula, reforçamos, neste sentido, a importância desta prática colaborativa.

            Na estruturação do curso, utilizaremos as seguintes categorias: entender, aplicar, avaliar e criar.

            Ferraz e Belhot (2010) destacam que a estrutura revisada da taxonomia de Bloom apresentam a categoria entender relacionando-a com o estabelecimento de uma conexão entre o novo e o conhecimento previamente adquirido.

           

                       3.Aplicar: Relacionado a executar ou usar um procedimento numa situação específica e pode também abordar a explicação de um conhecimento numa situação nova. Representado pelos seguintes verbos no gerúndio: Executando e Implementando. [...]

                        5. Avaliar: Relacionado a realizar julgamentos baseados em critérios e padrões qualitativos e quantitativos ou de eficiência e eficácia. Representado pelos seguintes verbos no gerúndio: checando e criticando.

                        6. Criar: Significa colocar elementos junto com o objetivo de criar uma nova solução, estrutura ou modelo utilizando conhecimentos e habilidade previamente adquiridos. Envolve o desenvolvimento de ideias novas e originais, produtos e métodos por meio da percepção da interdisciplinaridade e da interdependência de conceitos. Representado pelos seguintes verbos no gerúndio: Generalizando, Planejando e Produzindo. (IDEM,2010, p.429)

                       

             As atividades colaborativas propostas para este curso de formação, estão fundamentadas nos níveis de colaboração apresentados por Pereira e Costa (2022), as autoras afirmam que cada atividade deve apresentar um nível de complexidade, que deverá ser aumentado diante de cada passo cumprido e que os níveis de colaboração auxiliam na construção de competências indispensáveis para o sucesso da comunicação por meio das tecnologias.

 Os professores irão dialogar sobre as informações que já possuem sobre o TEA; realizar estudos de caso e no ambiente assíncrono, os professores deverão postar dúvidas, comentar os textos estudados, e apresentar suas experiências pedagógicas sobre o tema.

  Depois deverão fornecer suas perspectivas sobre a inclusão de alunos com TEA em sala de aula e que desafios são ou poderão ser encontrados na execução das atividades pedagógicas, nesta etapa, além de assistir vídeos sobre o tema, os professores deverão resumir suas aprendizagens e postar suas considerações, gravando no podcast.

            Passando para o 3º nível de colaboração, os professores irão combinar suas contribuições individuais a partir do conteúdo abordado para a construção de um trabalho coletivo sobre o tema, cada professor deverá produzir e postar no blog da turma, suas considerações. Serão disponibilizados questionários digitais, para que eles possam tanto responder como elaborar perguntas com base em suas aprendizagens.

            Na sequência os professores irão avaliar o conteúdo abordado, finalizando o curso eles deverão gerar um novo conhecimento, produzindo materiais didáticos digitais e físicos.

            Os materiais didáticos digitais serão disponibilizados no blog em formato PDF. Caso sejam games ou outros meios, os links serão compartilhados também no blog.

            Para os materiais físicos, os professores deverão gravar vídeos explicando o funcionamento dos mesmos e fazer registros fotográficos que também serão compartilhados no blog da turma.

            A seguir veremos os objetivos estabelecidos para esta prática colaborativa, salientando, porém, que durante o desenvolvimento da prática colaborativa de formação, estes objetivos poderão ser reprojetados a qualquer momento.

            Petrillo (2019, p.06) destaca que levando em consideração todos os níveis da taxonomia de Bloom, o docente deve realizar um constante reprojetar dos objetivos de aprendizagem e das suas avaliações, perfazendo o real sentido do processo ensino – aprendizagem.

           

            Quadro 01. Objetivos gerais e específicos com a respectiva categoria, elaborados de acordo com a taxonomia de Bloom para a aprendizagem colaborativa.

OBJETIVOS GERAIS

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

CATEGORIA

Entender o Transtorno do Espectro Autista - TEA, classificando -o de acordo com os sintomas e características aprendidos.

·         Associar os sintomas dos níveis de autismo às atividades de intervenção necessárias para superação das dificuldades apresentadas.

Entender

Aplicar o método de contenção de crises em sala de aula, implementando de acordo com as necessidades enfrentadas.

·         Resolver problemas de adaptação de alunos com TEA ao ambiente escolar.

·         Investigar as causas das crises apresentadas em sala de aula.

Aplicar

Avaliar o conteúdo teórico prático do curso, checando sua aplicabilidade no cotidiano escolar.

·         Explicar como o conteúdo a respeito do TEA tem contribuído para sua prática pedagógica.

Avaliar

Produzir materiais adaptados para os alunos com TEA, planejando adequadamente sua utilização.

·         Elaborar atividades diferenciadas para atender às necessidades dos alunos com TEA.

·         Prototipar materiais pedagógicos para facilitar a aprendizagem do aluno com TEA.

Criar

Fonte: Elaborado pela autora (2022)

 

5 Considerações Finais

 

         Discutir sobre a integração da aprendizagem colaborativa com a taxonomia de Bloom, numa proposta que incorporasse a implementação de tecnologias digitais numa prática colaborativa, foi nosso objetivo geral.

            Durante nossa discussão abordamos a Aprendizagem Colaborativa, a Taxonomia de Bloom e a proposta de atividade colaborativa envolvendo a Formação de Professores.

            Destacamos a importância da taxonomia de Bloom na estruturação das atividades de formação continuada, pois através dela é possível não apenas classificar objetivos instrucionais, mas propor, organizar e direcionar atividades, estratégias de ensino e avaliações.

            Também foi possível perceber que a proposta das atividades na prática colaborativa, precisam estar alinhadas aos níveis de colaboração que envolvem esta prática, através dos quais é possível desenvolver as habilidades desejadas.

            Por fim, elaboramos os objetivos instrucionais que deveriam nortear a prática colaborativa da atividade de formação continuada de professores.

            Um curso de formação continuada através da prática colaborativa, que utilize o ambiente virtual de aprendizagem, pode contribuir significativamente para a formação de professores. Principalmente quando este curso, investiga a realidade da prática docente, discutindo sobre os problemas reais existentes no exercício da docência.

 Diante disso, sugerimos que outras investigações sobre este tema sejam feitas, aprofundando os conhecimentos a respeito de práticas colaborativas de formação continuada de professores.

 

 

 

6 Referencias Bibliográficas

 

Ferraço, C.E. (2008) Cotidiano escolar, formação de professores e currículo.2ª Ed. São Paulo: Cortez.

Ferraz,A.P.do C.M.Belhot,R.V.(2010) Taxonomia de Bloom: revisão teórica e apresentação das adequações do instrumento para definição de objetivos instrucionais. Disponível em: http://www.scielo.br/j/gp/a/bRkFgbGCDp3HjQqFdqBm/?format=pdf&lang=pt .Acesso em 12.12.2022.

Gil,A.C.(2002) Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas.

Imbernón,F. (2011) Formação Docente e Profissional: formar-se para a mudança e a incerteza.9ª Ed. São Paulo: Cortez.  

Pereira,A.C.de S. Costa,D. (2022) Taxonomia da Aprendizagem Colaborativa a Distância. [e-book] Flórida: Must University.

Pereira,A.C.de S.Costa, D.(2022) Educação Colaborativa e Tecnologia. [e-book]. Flórida: Must University.

Pereira.A.C.de S.Costa, D.(2022) Taxonomia dos Objetivos Educacionais. [e-book]. Flórida: Must University.

Petrillo,C.de M. (2019) ENADE e a taxonomia de Bloom: maximização dos resultados nos indicadores de qualidade.(pp. 01 -25). 2ª Ed. Rio de Janeiro: Maria Augusta Delgado,2019.

 



[1] Licenciatura Plena em Pedagogia, UESPI – PI. Especialização em Psicopedagogia, UCAM -MG. Mestranda em Tecnologias Emergentes em Educação pela Must University. E-mail: rochellisp@gmail.com.  

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