quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

TECNOLOGIA ASSISTIVA NO CONTEXTO ESCOLAR

 


TECNOLOGIA ASSISTIVA NO CONTEXTO ESCOLAR

 

Rochelli Soares Pontes Milanez¹

 

 

 

Resumo:

 

 

Este estudo tem por objetivos: contextualizar o uso da tecnologia assistiva na escola; destacar a importância da tecnologia assistiva para a inclusão de alunos com deficiência; elencar alguns exemplos do uso de recursos de tecnologia assistiva na escola. O presente trabalho segue uma abordagem qualitativa, sendo um estudo baseado em livros digitais, anais publicados, artigos e diversas outras fontes disponíveis, assim, estabelecendo uma pesquisa bibliográfica. Entre os autores estudados, destacamos as contribuições de Sartoretto (2010), Giacomini (2010), Melo (2010) e Pereira (2015). O artigo está organizado em três capítulos. Este estudo nos permitiu compreender que os recursos pedagógicos de acessibilidade são fundamentais para a inclusão de alunos com deficiência, pois sejam eles de baixa ou de alta tecnologia, são selecionados para solucionar as dificuldades funcionais destes alunos. O uso de tecnologia assistiva na escola tem como objetivo minimizar ou excluir barreiras de aprendizagem. Entre as nossas conclusões destacamos que através da TA alunos com deficiência ou mobilidade reduzida podem ter acesso aos conteúdos de forma mais condizente com suas necessidades e ter sua aprendizagem garantida.

 

 

 

Palavras – chave: Tecnologia. Assistiva. Escolar.

 

 

 

Abstract:

 

 

This study aims to: contextualize the use of assistive technology at school; highlight the importance of assistive technology for the inclusion of students with disabilities; list some examples of the use of assistive technology resources at school. The present work follows a qualitative approach, being a study based on digital books, published proceedings, articles and several other available sources, thus establishing a bibliographic research. Among the authors studied, we highlight the contributions of Sartoretto (2010), Giacomini (2010), Melo (2010) and Pereira (2015). The article is organized into three chapters. This study allowed us to understand that accessibility pedagogical resources are fundamental for the inclusion of students with disabilities, as they are selected to solve the functional difficulties of these students, whether they are low or high technology. The use of assistive technology in school aims to minimize or exclude learning barriers. Among our conclusions, we highlight that through AT, students with disabilities or reduced mobility can have access to content in a way that is more consistent with their needs and have their learning guaranteed.

 

Keywords: Technology. Assistive. School.
 

 

1 Introdução

 

 

            Historicamente, as pessoas com deficiência têm enfrentado inúmeras barreiras sociais, no que tange à escolarização isto não é diferente.

            A escola é um lugar de acolhimento, que deve buscar a construção coletiva de uma pedagogia que parte das diferenças de seus alunos para impulsionar novas formas de organizar o ensino.

            O direito de acesso à Educação e a Informação estão previstos em nossa Constituição Federal, que em seu Artigo 5º declara que não deve haver distinção de qualquer natureza; declarando também que a livre expressão de atividade intelectual, artística, cientifica e de comunicação deve ser garantida.

            O Decreto Federal nº 5.296 de 1994 versa sobre a acessibilidade e sua garantia, assegurando a eliminação de barreiras nas comunicações e informações; promovendo a acessibilidade de pessoas com deficiência e /ou mobilidade reduzida.

 

A atual Política de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva propõe uma nova abordagem teórico – prática do ensino especial. Para exercer suas funções de acordo com os preceitos dessa nova orientação, o professor de educação especial volta-se para o conhecimento do aluno. Para isso ele precisa desenvolver a habilidade de observar e identificar as possíveis barreiras que limitam ou impedem o aluno de participar ativamente do processo escolar. (Sartoretto,2010, p.08)

 

            Neste contexto, a Tecnologia Assistiva pode ser entendida como

 

Uma área do conhecimento de característica interdisciplinar. Trata-se do fornecimento de recursos, serviços, produtos, recursos, metodologias, estratégias e práticas que objetivam promover a funcionalidade relacionada a atividade e participação de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social (Brasil,2007). O campo de atuação da TA é bastante amplo e demanda a participação direta de várias áreas [...]. (Pereira,2015, p.03)

 

 

            Desenvolver serviços, recursos e estratégias que auxiliam na resolução de problemas ou dificuldades funcionais na realização de tarefas pelas pessoas com deficiência é exatamente o que a tecnologia assistiva propõe.

             

2 A Tecnologia Assistiva e a Inclusão de Alunos com Deficiência 

 

         De acordo com Pereira (2015) os serviços de TA têm como principal função a formação do cidadão com alguma necessidade especial, de modo que ele se torne, além de informado, competente para a execução daquilo que é orientado e necessário.

            Para Sartoretto (2010) o professor deverá estar atento às características do aluno, aos objetivos educacionais pretendidos e assim, descrever a utilização de recursos pedagógicos de acessibilidade na escola.

            Os recursos pedagógicos de acessibilidade são fundamentais para a inclusão de alunos com deficiência, pois sejam eles de baixa ou de alta tecnologia, são selecionados para solucionar as dificuldades funcionais destes alunos.

            Recursos de baixa tecnologia são aqueles que podem ser confeccionados pelo professor de Atendimento Educacional Especializado (AEE) ou até mesmo pelo professor de sala regular, estes recursos são disponibilizados ao aluno que os utiliza na sala comum ou onde tiver necessidade.

            Já os recursos de alta tecnologia são recursos que precisam ser adquiridos pela escola, por exemplo: teclado expandido, mouses especiais, acionadores e etc.

 

Muitos alunos podem apresentar dificuldades na fala ou na escrita devido a impedimentos motores, cognitivos, emocionais ou de outra ordem. Essas restrições funcionais impedem os alunos com deficiência de expressar seus conhecimentos, suas necessidades, seus sentimentos, e é bastante frequente que as famílias e as pessoas em geral confundam tais restrições com a impossibilidade de conhecer, de aprender, de gerenciar a vida, de ser sujeito da própria história. (Sartoretto,2010, p.21)

 

 

            Para ampliar ou promover uma via alternativa de comunicação para estes alunos, a Tecnologia Assistiva apresenta uma área específica denominada de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) a qual é destinada a pessoas sem fala, sem escrita funcional ou em defasagem comunicativa.

            De acordo com Sartoretto (2010) a CAA possibilita a construção de novos canais de comunicação, através da valorização de todas as formas expressivas de comunicação que o aluno já possui.

Pereira (2015) assinala que as estratégias da CAA devem ser personalizadas de acordo com a necessidade dos alunos, principalmente considerando que a comunicação é um processo que exige tempo e maturidade. 

A CAA amplia o repertório comunicativo que envolve habilidades e necessidades que corroboram para o entendimento de conteúdos e resolução de atividades, potencializando a aprendizagem de alunos com deficiência e incluindo-os efetivamente no processo de aprendizagem. Promovendo também a interação com seus pares, o que possibilita trocas significativas para a aprendizagem e desenvolvimento cognitivo e socioafetivo.

            As estratégias, de acordo com os autores, devem ter início bem antes da escolha ou da construção do recurso, estabelecendo critérios que atendam às necessidades específicas para evitar o abandono do recurso de tecnologia assistiva.

            A inclusão de alunos com deficiência demanda constantes mudanças, a cada nova etapa educativa novas necessidades vão surgindo, outros desafios são apresentados, e alguns problemas persistem, exigindo que novos recursos sejam utilizados, novas estratégias sejam pensadas.

           

Quando afirmamos que o recurso deve ser selecionado com o aluno, estamos nos colocando ao lado dele, prestando atenção às suas necessidades, identificando as suas possibilidades, reconhecendo suas limitações e, junto com ele, selecionando e oferecendo o recurso de CAA, que, naquele momento e para aquela situação é mais indicado. (Sartoretto,2010, p.51)

 

 

            Os professores precisam ser capazes de elaborar estratégias, criar recursos e analisar os percursos de aprendizagem respeitando as necessidades especiais dos alunos, porém potencializando suas aprendizagens, eliminando ou diminuindo as barreiras.

Estas barreiras podem ser temporárias ou permanentes e podem impedir ou dificultar o desenvolvimento holístico do aluno.

 

3 Exemplos de uso de tecnologia assistiva na escola

 

            Como mencionamos anteriormente, o uso de tecnologia assistiva na escola tem como objetivo minimizar ou excluir barreiras de aprendizagem. Através da TA alunos com deficiência ou mobilidade reduzida podem ter acesso aos conteúdos de forma mais condizente com suas necessidades e ter sua aprendizagem garantida.

 

A tecnologia assistiva permite hoje que a escrita aconteça pelo simples movimento dos olhos. O aluno controla o deslocamento do cursor, levando-o para qualquer área do monitor, através do direcionamento do olhar; ao fixar o olhar em um ponto determinado, acontece o “clique” e a escrita é produzida pela ativação das letras, em um teclado virtual. (Sartoretto,2010, p. 15)

 

Observe na figura 01 a utilização de um recurso de tecnologia assistiva por um aluno para realizar uma atividade no computador.

 

Figura 1- Criança usando mouse adaptado

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: http://tassistiva.blogspot.com/2013/11/recursos-de-acessibilidade-ao-computador.html

 

         De acordo com Pereira (2015) projetos arquitetônicos para acessibilidade são projetos pensados e desenvolvidos para proporcionar acessibilidade de portadores de deficiência ou dificuldade física e sensorial.

Na figura 02 é possível observar um corredor de uma escola adaptado para cadeirantes e também com piso tátil para sinalização e orientação de pessoas cegas.

            Figura 2- Pátio de uma escola pública

 

 

 

 

 

 

Fonte:https://www.capaobonito.sp.gov.br/wp-content/uploads/2020/02/foto-4-rampas-e-obras-de-acessibilidade-na-escola-balanga.jpg

 

            Este tipo de acessibilidade é fundamental para que os alunos com deficiência ou mobilidade reduzida possam acessar a todos os espaços escolares com segurança, conforto e autonomia, de acordo com suas possibilidades e possam participar de todas as atividades propostas para sua aprendizagem escolar.

           

A preocupação pela acessibilidade espacial na escola é parte de um conjunto de ações que compõem um profundo processo de reflexão sobre as funções que a escola deve desempenhar no momento atual. Pensar em acessibilidade espacial, na escola, só terá sentido se as decisões que forem implementadas resultarem em melhores condições de aprendizagem e em melhor qualidade de vida, não são para os usuários diretos destas adequações, os alunos com deficiência, mas para a comunidade escolar como um todo. (Giacomini,2010, p.40)

 

            A autora destaca ainda, que os recursos de adequação postural e mobilidade tem efeito direto na aprendizagem; na figura 03 é possível observar que o aluno utiliza uma carteira adaptada com uma poltrona postural com vários acessórios que facilitarão a estabilidade da postura: apoio da cabeça, contenção do tronco e das pernas e cintos.

Figura 3 - Carteira adaptada

           

 

 

 

 

 

 

Fonte: https://www.al.to.leg.br/imagens/06138f91737414207857f3a4f1f3ed00.jpg

 

            Melo (2010, p.07) afirma que recursos de informática podem ser utilizados como alternativas a instrumentos usados no cotidiano escolar (ex: livro, caderno, lápis, agenda, mural, dentre outros) e ter seu acesso facilitado pela configuração de hardware e de software, além de recursos de Tecnologia Assistiva.

            Com relação a isso, Pereira (2015) destaca que na educação, a Tecnologia Assistiva está presente em coisas simples e baratas como um lápis engrossado em E.V.A ou em algo mais caro como a criação, edição ou mesmo a compra de softwares.

            A Politica Nacional de Educação Especial na perspectiva inclusiva institui a acessibilidade a livros e também a acessibilidade em bibliotecas de todo o país, através da aquisição de softwares que possibilitam aos alunos com deficiências ou prejuízos sensoriais o acesso aos mais variados conteúdos e livros.

            Melo (2010) lista os seguintes formatos de livros acessíveis:

·         Livros digitais em texto;

·         Livros Formatados para impressão Braille;

·         Áudio livros;

·         Livros no formato DAISY;

·         Livros com letras ampliadas;

·         Livro em Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS);

·         Livros na perspectiva do Desenho Universal.

 

O formato DAISY é um tipo de livro digital e consiste, em síntese, num sistema de processamento de dados, através do qual se pode ter acesso ao conteúdo ortográfico ou áudio livro gerado nesse padrão. A apresentação do texto pode ser configurada, inclusive para a impressão Braille e para acesso com a linha Braille; oferece maior segurança para a proteção dos Direitos Autorais; é o formato mais completo existente: em um único dispositivo, pode contemplar todos os demais. Recentemente, o Ministério da Educação lançou o software Mecdaisy, de distribuição gratuita, que reproduz textos neste formato. (Idem, 2010, p. 12)

 

 

            O livro acessível permite ao leitor acesso ao conteúdo dos livros em diversas situações e locais; na figura 04 o aluno cego, lê no computador um livro no formato Daisy.

 

Figura 4-Leitura em Livro formato Dayse

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: https://redeleiturainclusiva.org.br/wp-content/uploads/2015/03/rede-de-leitura-inclusiva-livro-daisy2-624x312.jpg

 

Reverberamos o que Pereira (2015, p.09) destaca, é necessário um planejamento comum entre gestores e professores das classes comuns e das salas de recursos, na tentativa de fazer com que as tecnologias disponíveis sejam sempre utilizadas de forma assistiva para aqueles estudantes que dependem delas.

 

4 Considerações Finais

 

              

Este estudo nos permitiu compreender que os recursos pedagógicos de acessibilidade são fundamentais para a inclusão de alunos com deficiência, pois sejam eles de baixa ou de alta tecnologia, são selecionados para solucionar as dificuldades funcionais destes alunos.

O uso de tecnologia assistiva na escola tem como objetivo minimizar ou excluir barreiras de aprendizagem, para tanto, é imprescindível que o professor estabeleça uma comunicação direta e uma observação minuciosa das necessidades deste aluno.

Entre as nossas conclusões destacamos que através da TA alunos com deficiência ou mobilidade reduzida podem ter acesso aos conteúdos de forma mais condizente com suas necessidades e ter sua aprendizagem garantida.

 

5 Referências Bibliográficas

 

Pereira. A.C.de S. (2015) Categorias da Tecnologia Assistiva. [e-book] Florida: Must University.

Pereira. A.C.de S. (2015) Tecnologia Assistiva na Educação. [e-book] Florida: Must University.

Pereira. A.C.de S. (2015) Formação de professores para inclusão digital. [e-book] Florida: Must University.

Melo. A. M. A (2010) Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: livro acessível e informática acessível. Fortaleza: UFC.

Giacomini.L. (2010) Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: Orientação e Mobilidade, Adequação Postural e Acessibilidade Espacial. Fortaleza: UFC.

Sartoretto.M.L. (2010) Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: Recursos Pedagógicos Acessíveis e Comunicação Aumentativa e Alternativa. Fortaleza: UFC.

Acesso em 18.08.2022.

 

 

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