TECNOLOGIA
ASSISTIVA NO CONTEXTO ESCOLAR
Rochelli
Soares Pontes Milanez¹
Resumo:
Este
estudo tem por objetivos: contextualizar o uso da tecnologia assistiva na
escola; destacar a importância da tecnologia assistiva para a inclusão de
alunos com deficiência; elencar alguns exemplos do uso de recursos de
tecnologia assistiva na escola. O presente trabalho segue uma abordagem
qualitativa, sendo um estudo baseado em livros digitais, anais publicados,
artigos e diversas outras fontes disponíveis, assim, estabelecendo uma pesquisa
bibliográfica. Entre os autores estudados, destacamos as contribuições de
Sartoretto (2010), Giacomini (2010), Melo (2010) e Pereira (2015). O artigo
está organizado em três capítulos. Este estudo nos permitiu compreender que os
recursos pedagógicos de acessibilidade são fundamentais para a inclusão de
alunos com deficiência, pois sejam eles de baixa ou de alta tecnologia, são
selecionados para solucionar as dificuldades funcionais destes alunos. O uso de
tecnologia assistiva na escola tem como objetivo minimizar ou excluir barreiras
de aprendizagem. Entre as nossas conclusões destacamos que através da TA alunos
com deficiência ou mobilidade reduzida podem ter acesso aos conteúdos de forma
mais condizente com suas necessidades e ter sua aprendizagem garantida.
Palavras
– chave: Tecnologia. Assistiva.
Escolar.
Abstract:
This study aims to: contextualize the use of
assistive technology at school; highlight the importance of assistive
technology for the inclusion of students with disabilities; list some examples
of the use of assistive technology resources at school. The present work
follows a qualitative approach, being a study based on digital books, published
proceedings, articles and several other available sources, thus establishing a
bibliographic research. Among the authors studied, we highlight the
contributions of Sartoretto (2010), Giacomini (2010), Melo (2010) and Pereira
(2015). The article is organized into three chapters. This study allowed us to
understand that accessibility pedagogical resources are fundamental for the
inclusion of students with disabilities, as they are selected to solve the
functional difficulties of these students, whether they are low or high
technology. The use of assistive technology in school aims to minimize or
exclude learning barriers. Among our conclusions, we highlight that through AT,
students with disabilities or reduced mobility can have access to content in a
way that is more consistent with their needs and have their learning
guaranteed.
Keywords: Technology. Assistive. School.
1
Introdução
Historicamente, as
pessoas com deficiência têm enfrentado inúmeras barreiras sociais, no que tange
à escolarização isto não é diferente.
A escola é um lugar de acolhimento,
que deve buscar a construção coletiva de uma pedagogia que parte das diferenças
de seus alunos para impulsionar novas formas de organizar o ensino.
O direito de acesso à Educação e a
Informação estão previstos em nossa Constituição Federal, que em seu Artigo 5º
declara que não deve haver distinção de qualquer natureza; declarando também
que a livre expressão de atividade intelectual, artística, cientifica e de
comunicação deve ser garantida.
O Decreto Federal nº 5.296 de 1994
versa sobre a acessibilidade e sua garantia, assegurando a eliminação de
barreiras nas comunicações e informações; promovendo a acessibilidade de
pessoas com deficiência e /ou mobilidade reduzida.
A atual Política
de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva propõe uma nova
abordagem teórico – prática do ensino especial. Para exercer suas funções de
acordo com os preceitos dessa nova orientação, o professor de educação especial
volta-se para o conhecimento do aluno. Para isso ele precisa desenvolver a
habilidade de observar e identificar as possíveis barreiras que limitam ou
impedem o aluno de participar ativamente do processo escolar. (Sartoretto,2010,
p.08)
Neste contexto, a Tecnologia
Assistiva pode ser entendida como
Uma área do
conhecimento de característica interdisciplinar. Trata-se do fornecimento de
recursos, serviços, produtos, recursos, metodologias, estratégias e práticas
que objetivam promover a funcionalidade relacionada a atividade e participação
de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua
autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social (Brasil,2007). O
campo de atuação da TA é bastante amplo e demanda a participação direta de
várias áreas [...]. (Pereira,2015, p.03)
Desenvolver serviços, recursos e
estratégias que auxiliam na resolução de problemas ou dificuldades funcionais
na realização de tarefas pelas pessoas com deficiência é exatamente o que a
tecnologia assistiva propõe.
2
A Tecnologia Assistiva e a Inclusão de Alunos com Deficiência
De acordo com Pereira
(2015) os serviços de TA têm como principal função a formação do cidadão com
alguma necessidade especial, de modo que ele se torne, além de informado,
competente para a execução daquilo que é orientado e necessário.
Para Sartoretto (2010) o professor
deverá estar atento às características do aluno, aos objetivos educacionais
pretendidos e assim, descrever a utilização de recursos pedagógicos de
acessibilidade na escola.
Os recursos pedagógicos de acessibilidade
são fundamentais para a inclusão de alunos com deficiência, pois sejam eles de
baixa ou de alta tecnologia, são selecionados para solucionar as dificuldades
funcionais destes alunos.
Recursos de baixa tecnologia são
aqueles que podem ser confeccionados pelo professor de Atendimento Educacional
Especializado (AEE) ou até mesmo pelo professor de sala regular, estes recursos
são disponibilizados ao aluno que os utiliza na sala comum ou onde tiver
necessidade.
Já os recursos de alta tecnologia
são recursos que precisam ser adquiridos pela escola, por exemplo: teclado
expandido, mouses especiais, acionadores e etc.
Muitos alunos
podem apresentar dificuldades na fala ou na escrita devido a impedimentos
motores, cognitivos, emocionais ou de outra ordem. Essas restrições funcionais
impedem os alunos com deficiência de expressar seus conhecimentos, suas
necessidades, seus sentimentos, e é bastante frequente que as famílias e as
pessoas em geral confundam tais restrições com a impossibilidade de conhecer,
de aprender, de gerenciar a vida, de ser sujeito da própria história. (Sartoretto,2010,
p.21)
Para ampliar ou promover uma via
alternativa de comunicação para estes alunos, a Tecnologia Assistiva apresenta
uma área específica denominada de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) a
qual é destinada a pessoas sem fala, sem escrita funcional ou em defasagem
comunicativa.
De acordo com Sartoretto (2010) a
CAA possibilita a construção de novos canais de comunicação, através da
valorização de todas as formas expressivas de comunicação que o aluno já
possui.
Pereira (2015) assinala que as estratégias
da CAA devem ser personalizadas de acordo com a necessidade dos alunos,
principalmente considerando que a comunicação é um processo que exige tempo e
maturidade.
A CAA amplia o repertório comunicativo que
envolve habilidades e necessidades que corroboram para o entendimento de
conteúdos e resolução de atividades, potencializando a aprendizagem de alunos
com deficiência e incluindo-os efetivamente no processo de aprendizagem.
Promovendo também a interação com seus pares, o que possibilita trocas
significativas para a aprendizagem e desenvolvimento cognitivo e socioafetivo.
As estratégias, de acordo com os
autores, devem ter início bem antes da escolha ou da construção do recurso,
estabelecendo critérios que atendam às necessidades específicas para evitar o
abandono do recurso de tecnologia assistiva.
A inclusão de alunos com deficiência
demanda constantes mudanças, a cada nova etapa educativa novas necessidades vão
surgindo, outros desafios são apresentados, e alguns problemas persistem,
exigindo que novos recursos sejam utilizados, novas estratégias sejam pensadas.
Quando afirmamos
que o recurso deve ser selecionado com o aluno, estamos nos colocando ao lado
dele, prestando atenção às suas necessidades, identificando as suas
possibilidades, reconhecendo suas limitações e, junto com ele, selecionando e
oferecendo o recurso de CAA, que, naquele momento e para aquela situação é mais
indicado. (Sartoretto,2010, p.51)
Os professores precisam ser capazes
de elaborar estratégias, criar recursos e analisar os percursos de aprendizagem
respeitando as necessidades especiais dos alunos, porém potencializando suas
aprendizagens, eliminando ou diminuindo as barreiras.
Estas barreiras podem ser temporárias ou
permanentes e podem impedir ou dificultar o desenvolvimento holístico do aluno.
3
Exemplos de uso de tecnologia assistiva na escola
Como
mencionamos anteriormente, o uso de tecnologia assistiva na escola tem como
objetivo minimizar ou excluir barreiras de aprendizagem. Através da TA alunos
com deficiência ou mobilidade reduzida podem ter acesso aos conteúdos de forma
mais condizente com suas necessidades e ter sua aprendizagem garantida.
A tecnologia
assistiva permite hoje que a escrita aconteça pelo simples movimento dos olhos.
O aluno controla o deslocamento do cursor, levando-o para qualquer área do
monitor, através do direcionamento do olhar; ao fixar o olhar em um ponto
determinado, acontece o “clique” e a escrita é produzida pela ativação das
letras, em um teclado virtual. (Sartoretto,2010, p. 15)
Observe na figura 01 a utilização de um
recurso de tecnologia assistiva por um aluno para realizar uma atividade no
computador.
Figura 1-
Criança usando mouse adaptado
Fonte: http://tassistiva.blogspot.com/2013/11/recursos-de-acessibilidade-ao-computador.html
De acordo com Pereira
(2015) projetos arquitetônicos para acessibilidade são projetos pensados e
desenvolvidos para proporcionar acessibilidade de portadores de deficiência ou
dificuldade física e sensorial.
Na figura 02 é possível observar um
corredor de uma escola adaptado para cadeirantes e também com piso tátil para
sinalização e orientação de pessoas cegas.
Este tipo de acessibilidade é
fundamental para que os alunos com deficiência ou mobilidade reduzida possam
acessar a todos os espaços escolares com segurança, conforto e autonomia, de
acordo com suas possibilidades e possam participar de todas as atividades
propostas para sua aprendizagem escolar.
A preocupação pela
acessibilidade espacial na escola é parte de um conjunto de ações que compõem
um profundo processo de reflexão sobre as funções que a escola deve desempenhar
no momento atual. Pensar em acessibilidade espacial, na escola, só terá sentido
se as decisões que forem implementadas resultarem em melhores condições de
aprendizagem e em melhor qualidade de vida, não são para os usuários diretos
destas adequações, os alunos com deficiência, mas para a comunidade escolar
como um todo. (Giacomini,2010, p.40)
A autora destaca ainda, que os
recursos de adequação postural e mobilidade tem efeito direto na aprendizagem;
na figura 03 é possível observar que o aluno utiliza uma carteira adaptada com
uma poltrona postural com vários acessórios que facilitarão a estabilidade da
postura: apoio da cabeça, contenção do tronco e das pernas e cintos.
Fonte: https://www.al.to.leg.br/imagens/06138f91737414207857f3a4f1f3ed00.jpg
Melo (2010, p.07) afirma que
recursos de informática podem ser utilizados como alternativas a instrumentos
usados no cotidiano escolar (ex: livro, caderno, lápis, agenda, mural, dentre
outros) e ter seu acesso facilitado pela configuração de hardware e de
software, além de recursos de Tecnologia Assistiva.
Com relação a isso, Pereira (2015)
destaca que na educação, a Tecnologia Assistiva está presente em coisas simples
e baratas como um lápis engrossado em E.V.A ou em algo mais caro como a
criação, edição ou mesmo a compra de softwares.
A Politica Nacional de Educação
Especial na perspectiva inclusiva institui a acessibilidade a livros e também a
acessibilidade em bibliotecas de todo o país, através da aquisição de softwares
que possibilitam aos alunos com deficiências ou prejuízos sensoriais o acesso
aos mais variados conteúdos e livros.
Melo (2010) lista os seguintes
formatos de livros acessíveis:
·
Livros digitais em texto;
·
Livros Formatados para impressão Braille;
·
Áudio livros;
·
Livros no formato DAISY;
·
Livros com letras ampliadas;
·
Livro em Língua Brasileira de Sinais
(LIBRAS);
·
Livros na perspectiva do Desenho
Universal.
O formato DAISY é
um tipo de livro digital e consiste, em síntese, num sistema de processamento
de dados, através do qual se pode ter acesso ao conteúdo ortográfico ou áudio
livro gerado nesse padrão. A apresentação do texto pode ser configurada,
inclusive para a impressão Braille e para acesso com a linha Braille; oferece
maior segurança para a proteção dos Direitos Autorais; é o formato mais
completo existente: em um único dispositivo, pode contemplar todos os demais.
Recentemente, o Ministério da Educação lançou o software Mecdaisy, de
distribuição gratuita, que reproduz textos neste formato. (Idem, 2010, p. 12)
O livro acessível permite ao leitor
acesso ao conteúdo dos livros em diversas situações e locais; na figura 04 o
aluno cego, lê no computador um livro no formato Daisy.
Reverberamos o que Pereira (2015, p.09)
destaca, é necessário um planejamento comum entre gestores e professores das
classes comuns e das salas de recursos, na tentativa de fazer com que as
tecnologias disponíveis sejam sempre utilizadas de forma assistiva para aqueles
estudantes que dependem delas.
4
Considerações Finais
Este estudo nos permitiu compreender que
os recursos pedagógicos de acessibilidade são fundamentais para a inclusão de
alunos com deficiência, pois sejam eles de baixa ou de alta tecnologia, são
selecionados para solucionar as dificuldades funcionais destes alunos.
O uso de tecnologia assistiva na escola
tem como objetivo minimizar ou excluir barreiras de aprendizagem, para tanto, é
imprescindível que o professor estabeleça uma comunicação direta e uma
observação minuciosa das necessidades deste aluno.
Entre as nossas conclusões destacamos que
através da TA alunos com deficiência ou mobilidade reduzida podem ter acesso
aos conteúdos de forma mais condizente com suas necessidades e ter sua
aprendizagem garantida.
5
Referências Bibliográficas
Pereira.
A.C.de S. (2015) Categorias da Tecnologia Assistiva. [e-book] Florida: Must
University.
Pereira.
A.C.de S. (2015) Tecnologia Assistiva na Educação. [e-book] Florida: Must
University.
Pereira.
A.C.de S. (2015) Formação de professores para inclusão digital. [e-book]
Florida: Must University.
Melo.
A. M. A (2010) Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: livro
acessível e informática acessível. Fortaleza: UFC.
Giacomini.L.
(2010) Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: Orientação e
Mobilidade, Adequação Postural e Acessibilidade Espacial. Fortaleza: UFC.
Sartoretto.M.L.
(2010) Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: Recursos
Pedagógicos Acessíveis e Comunicação Aumentativa e Alternativa. Fortaleza: UFC.
Acesso
em 18.08.2022.

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