quarta-feira, 20 de julho de 2022

Tecnologias integradas à sala de aula

 


 


 

TECNOLOGIAS INTEGRADAS À SALA DE AULA

 

 

A ação pedagógica mediada pelas tecnologias para a formação de cidadãos criativos

 

Rochelli Soares Pontes Milanez[1]

 

 

Resumo:

 

Este artigo tem como objetivo geral conhecer os princípios tecnológicos e pedagógicos para o uso das tecnologias em sala de aula. Investigando a mediação tecnológica no processo de ensino e a formação de alunos criativos através da ação do professor como guia da aprendizagem. Foi utilizada a metodologia de pesquisa bibliográfica. Dialogando com os autores, consideramos que a ação pedagógica inovadora colabora de forma efetiva para o desenvolvimento do processo de aprender contínuo mediado pelas tecnologias, o que culmina na formação de indivíduos críticos e criativos, cidadãos digitais.

 

 

Palavras-chave: Tecnológicos. Pedagógicos. Mediação.

 

 

 

Abstract

 

This article has as a general objective to know the technological and pedagogical principles for the use of technologies in the classroom. Investigating the technological mediation in the teaching process and the formation of creative students through the action of the teacher as a learning guide. The bibliographic research methodology was used. Dialoguing with the authors, we consider that innovative pedagogical action collaborates effectively to the development of the continuous learning process mediated by technologies, which culminates in the formation of critical and creative individuals, digital citizens.

 

 

 

Keywords: Technological. Pedagogical. Intermediation

1 Introdução

 

No contexto da sociedade contemporânea, a qual é caracterizada por mudanças aceleradas, múltiplos espaços de comunicação, atividades colaborativas e conexões em rede, as tecnologias são indispensáveis para a produtividade, e assim sendo, os principais desafios no contexto pedagógico consistem em utiliza-las de maneira que os educandos desenvolvam habilidades para uma constante aprendizagem.

É inegável a relevante contribuição das tecnologias digitais de informação e comunicação para a disseminação de informação e construção do conhecimento. Além disso, podemos afirmar que as TDIC ( Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação) potencializam o desenvolvimento de estratégias de raciocínio e resolução de problemas, e podem ser utilizadas de forma muito eficiente para atender às necessidade de aprendizagem individuais dos alunos de forma adaptativa, além disso é possível por meio de sistemas de informações obter dados e gerenciar dados que permitem analisar e intervir de maneira eficiente no processo de ensino e aprendizagem, outra contribuição importante é a produção de materiais digitais como jogos e softwares educativos diversificados que podem auxiliar os alunos em suas dificuldades de aprendizagem.

É necessário reorganizar o trabalho pedagógico para promover interações, planejar situações de aprendizagem integrativas, é necessário planejar a ação pedagógica nesta nova perspectiva de educação, pois o simples fato de conhecer as vantagens ou contribuições destas tecnologias ou a existência delas no ambiente escolar não contribui de forma significativa para a transformação da educação, se não houver uma pratica pedagógica com intencionalidade, pensada por este contexto e para este contexto.

A perspectiva de uso de diferentes recursos tecnológicos e acesso à informação requer capacidade de inovação e aprendizagem continuas.

2 A Educação Mediada por Tecnologias

 

O planejamento pedagógico deve conter uma visão integrada das competências e também dos papeis de todos os envolvidos no processo educativo, no qual o foco passa a ser a interatividade no processo de conhecimento, equilibrando atividades e estudos individuais e coletivos; a proposta torna-se centrada no envolvimento dos estudantes com a descoberta, investigação e resolução de problemas. 

 

2. 1 A mediação tecnológica e o desenvolvimento educacional

 

            É inegável o contributo da tecnologia digitais para o desenvolvimento das práticas educativas como mencionamos anteriormente, mas é preciso considerar dois extremos que estão sempre presentes em se tratando de práticas que envolvem o uso de tecnologias:

As práticas de educação mediada por tecnologias devem considerar a valorização do uso de tecnologia para tornar o processo de ensino e aprendizagem mais eficiente e eficaz. É preciso que essa valorização e objetivo seja central e superior ao de domínio técnico de utilização por professores e alunos, assim como também aos fins de entretenimento, onde se utiliza simplesmente como um acessório de diversão em espaços educativos. (Netto,2018, p.9)

            Para que este desenvolvimento aconteça é preciso superar a perspectiva de que apensa munir professores e alunos de conhecimentos técnicos sobre estas tecnologias digitais é suficiente. Também é preciso superar a perspectiva de utilização das ferramentas tecnológicas apenas para fins de entretenimento, como recreação ou bônus por atingir determinadas habilidades em sala de aula, conforme salienta a autora citada.

              Na visão de Rivero (2004), a atualidade é palco de mudanças rápidas na política, na economia, nas tecnologias e na cultura. O processo de internacionalização impacta a sociedade e pressiona por mudanças que vem transformando paradigmas. O professor neste contexto pós-moderno não é mais o monopolizador da verdade e deve ter consciência disto. (Sant’anna,2016, p.27)

A mudança estrutural da ação educativa é sem duvida o grande diferencial para que haja um desenvolvimento educativo no processo de mediação tecnológica, uma vez que o professor passa a atuar não como o orientador diretivo, detentor exclusivo do conhecimento e único a manusear estas ferramentas durante o processo, é imprescindível que o professor esteja atento às mudanças de paradigmas, observando que a ação educativa adquire dentro deste contexto uma característica multidimensional.

É bastante comum observar um grau de ansiedade entre os docentes, os quais, para fazerem uso das tecnologias na educação, se envolvem na aprendizagem de como operar tecnicamente os diversos recursos de uma ferramenta para que somente ela faça uso na sala de aula, em um modelo centrado na sua exposição didática, agora com uso de vídeos, slides e animações. Essa prática não deve ser rechaçada. No entanto, a abordagem que se pretende reforçar é a de fazer uso com diferentes práticas integradas com uso de tecnologias que proporcionem o desenvolvimento de várias habilidades. (Netto, 2018, p.6).

O professor é colaborador e incentivador de seus alunos, estabelecendo de forma interativa e simultânea conexões entre alunos e conhecimento, neste processo integrativo, a partir das interações estabelecidas, o conhecimento se tornará mais significativo e contextual para os alunos.

As escolas necessitam se preparar para este cenário, onde as novas tecnologias podem transformar os modos de aprender e ensinar quando ligadas as mudanças paradigmáticas mais amplas. Destaca-se que deve haver a apropriação das tecnologias como ferramentas, realizada de maneira crítica e reflexiva, integrada a uma mudança estrutural da ação educativa, para que professores e alunos aprendam de forma mais significativa e contextualizada. (Sant’ana, 2016, p. 27)

            O autor deixa claro a necessidade de mudança da ação educativa para que haja uma efetividade e uma eficiência no processo educativo com o uso das ferramentas tecnológicas.

 

2. 2 A formação de cidadãos criativos

 

No contexto de uma educação que objetiva promover a formação de educandos capazes de interagir, produzir cultura e trabalho utilizando ferramentas tecnológicas, não se podemos pensar o uso de ferramentas tecnológicas em sala de aula apenas como simples instrumentos de reprodução de conteúdo para a ministração de aulas nos moldes da educação do século anterior, cujas demandas eram totalmente diferentes.

O pensamento de Almeida (2010) considera a necessidade de uma nova pedagogia, de uma nova formação para os professores, o que promoverá uma mudança da cultura escolar, incluindo as novas tecnologias para potencializar a mediação pedagógica. É certo que tal mudança é essencial para a educação que considera o século XXI e o futuro. Esta tem por objetivo a formação de sujeitos críticos, conscientes de si, do outro e da vida do planeta, compreendendo a complexidade como paradigma explicativo da vida (MORIN,2001). Segundo Kenski (2007), a formação de professores deve estar voltada a atender uma sociedade que está em constantes mudanças, considerando que o maior desafio a ser superado atualmente não é a falta de conhecimento sobre como manipular as TICs, mas a falta de formas viáveis de integrá-las no (ao) processo de ensino – aprendizagem. (Sant’ana, 2016, p. 33).

Como assinalou o autor supracitado, um dos maiores desafios da ação docente na mediação e no uso de ferramentas tecnológicas no ambiente educativo, consiste em viabilizar a integração destas ferramentas ao processo de modo a promover no aluno o desenvolver habilidades adequadas para atuar no contexto contemporâneo.

A necessidade que se apresenta neste processo é de integrar ou desenvolver habilidades integradas no que se refere ao domínio cognitivo, intrapessoal e interpessoal. Alguns autores destacam este processo como sendo um processo de multialfabetização.

Dentro desse contexto, Demo (2011) chama a atenção para a necessidade de a educação prover o desenvolvimento de multialfabetizações. Assim, as competências cognitivas na prática continuam sendo importantes para a vida das pessoas porque são indispensáveis para a cidadania e a produtividade. No entanto, outras necessidades se apresentam, como o manejo da informação e comunicação, muito além da postura de mero usuário. Assim, o termo multialfabetizações indica que a alfabetização se tornou plural, porque são muitas as habilidades esperadas para enfrentar a vida e o mercado hoje, marcado pelo enfoque tecnológico. (Netto, 2018, p.5)

O que podemos afirmar é que, não basta ao aluno identificar e saber manusear corretamente as ferramentas tecnológicas, mas é necessário que se faca o uso inteligente destas ferramentas, e este uso inteligente passa pela prática social e cidadã e ainda pela prática produtiva.

A fluência tecnológica é, neste sentido, o que torna o aluno um cidadão critico e criativo, pois ele não será somente um receptor de informações, ele deixa a posição de apenas consumidor de programas e informações e assume também o papel de criador.

O aluno deve ser orientado, estimulado, não somente a buscar informação, mas também a desenvolver autoria da informação. Ser capaz de processar a informação, analisar aquilo que recebe, sendo capaz de produzir informação e comunicar -se usando as ferramentas tecnológicas de que dispõe.

O grande desafio da ação pedagógica no contexto atual é exatamente buscar esta formação de cidadãos criativos. Alunos que possuam boas noções de como trafegar nas mídias digitais, como se relacionar através das diversas redes disponíveis, e portando-se como um cidadão, respeitando normas e convenções de cidadania digital, seja capaz de usar as ferramentas de que dispõe para consumir e produzir informação ao mesmo tempo.

Não se trata de munir as instituições de ensino, os alunos e os docentes de tablets e computadores de ultima geração, pois o acesso não necessariamente será suficiente para o desenvolvimento integral do estudante. Assim, a educação inovadora requer profissionais dedicados que trabalhem colaborativamente para o avanço do mundo com criatividade e inovação. (Netto, 2018, p.8)

O que implica dizer que o simples fato de impregnar os espaços educativos de recursos tecnológicos não garante que haja o desenvolvimento destas habilidades; assim como a ausência destes no ambiente educativo não impede que o professor possa desenvolver suas atividades com criatividade e inovação.

É necessário ponderar, repensar a prática, planejar, inovar, sobretudo dimensionar a efetividade das ferramentas tecnológicas na busca e na produção de conhecimento para assim, promover a formação de indivíduos criativos; alinhando os objetivos de ensino às necessidades dos alunos e por consequência às demandas atuais da sociedade.

Dinamismo, conectividade, criatividade, experimentação, interação, praticas pedagógicas interativas e integrativas serão capazes de favorecer o desenvolvimento de habilidades e competências que tornem estes alunos capazes de manejar informação e comunicação de forma fluente e além de serem fluentes tecnologicamente, sendo capazes de produzir conteúdo e não apenas compartilhar ou consumir passivamente.

3 Considerações Finais

 

Dialogando com os autores percebemos que é consenso que, potencialmente o uso de tecnologias na educação pode trazer benefícios tanto para os sistemas de ensino, em termos de custo/benefício, quanto para alunos e professores com relação às melhorias no processo de interação e melhor desenvolvimento do processo de ensino e aprendizagem, promovendo assim uma eficiência no processo de modo a suprir as demandas socioeconômicas que são colocadas sobre a educação.

Estes benefícios tornam-se visíveis quando os professores conseguem integrar as TDIC às suas práticas pedagógicas, permitindo que caminhos ou percursos de aprendizagem sejam criados para seus alunos, possibilitando a construção de questionamentos, investigações, interações, problematizações, dentre outras atividades que promovam o avanço da aprendizagem cotidiana de seus alunos, fortalecendo o processo de aprender contínuo.

A ação pedagógica inovadora colabora de forma efetiva para o desenvolvimento do processo de aprender contínuo mediado pelas tecnologias, que culmina na formação de indivíduos críticos e criativos, cidadãos digitais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4 Referências Bibliográficas

 

Netto,C.M.(2018) Desenvolvimento de competências e habilidades para o século XXI. [e-book] Flórida: Must University.

Netto,C.M.(2018) A Educação Mediada por Tecnologias.[e-book] Flórida: Must University.

SANT’ANA,J.V.B.de.;SANTOS,L.G.dos.;ALVES,P.F.(2016). A Mediação Pedagógica com o uso das Novas Tecnologias Numa Educação Complexa e Libertadora: breve investigação em campo. Revista Temporis [Ação]. (Periódico acadêmico de História, Letras e Educação da Universidade Estadual de Goiás). Cidade de Goiás; Anápolis. V.16, n.01, p.21-36 de 104,jan./jun.,2016. Disponível em: http://www.revista.ueg.br.br/index.php/temporisacao/issue/archive Acesso em:<13.10.2021>.

 



[1] Licenciatura Plena em Pedagogia, UESPI- PI. Especialização em Psicopedagogia, UCAM-MG. Mestranda em Tecnologias Emergentes em Educação pela Must University. E-mail. rochellisp@gmail.com.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Descontração na acolhida