terça-feira, 31 de maio de 2022

A QUARTA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E AS ORGANIZAÇÕES DE ENSINO

 



A QUARTA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E AS ORGANIZAÇÕES DE ENSINO

 

Rochelli Soares Pontes Milanez¹

 

Resumo:

 

O presente estudo tem como objetivos: investigar experiências educacionais alternativas que surgem para atender a demanda da quarta revolução industrial; discorrer sobre a proposta pedagógica da escola School 21; identificar como são as escolas disruptas e os desafios da educação do século XXI. Seguimos uma abordagem qualitativa, sendo um estudo baseado em livros digitais, anais publicados, artigos e diversas outras fontes disponíveis, assim, estabelecendo uma pesquisa bibliográfica. Utilizamos para análise os estudos de Inghan (2015), Bullentini e Damasio (2019), Noemi (2018), dentre outros.O trabalho foi organizado da seguinte forma: Introdução; Experiências Educacionais Alternativas; A proposta da School 21, Escolas disruptas, escolas do século XXI, Conclusão e Referências Bibliográficas. Tecemos algumas considerações sobre o rompimento do paradigma conservador de educação por meio de experiências educacionais alternativas que obtiveram sucesso; observamos que através de uma proposta pedagógica baseada em projetos e que visa promover habilidades e não conteúdos isolados como a School 21, pode ser a saída para atender as demandas da quarta revolução industrial; identificamos ainda que as escolas disruptas possibilitam o engajamento, a interatividade e a preparação de indivíduos para atuação responsável, autônoma, criativa e competente.

 

 

 

Palavras – chave: Experiência. Alternativa. Scholl 21. Escola. Disrupta.

 

Abstract:

 

The presente study aims to: investigate alternative educational experiences that arise to meet the demand of the fourth industrial Revolution; discuss the pedagogical proposal of School 21;

Identify how disruptive schools are and the challenges of 21st century education. We follow a qualitative approach, being a study baseado n digital books, published proceeedings, articles and several Other available sources, thus establishing a bibliographic research. For analysis, we used studies by Inglan(2015), Bullentini and Damasio (2019), Noemi (2018), among others. The work was organized as follows: introduction; Alternative Educacional Expediences; The Scholl 21 proposal; Disruptive schools,21st century schools;Conclusion ande Bibliographic References. We make some considerations about the rupture of the conservative paradigma of education through alternative educational experiences that were successful; we observed that through a pedagogical proposal based on projects and which aims to promote skills and not isolated contentes such as School 21, it can be the way out to meet the demands of the fourth industrial Revolution; we also identified that disruptive school enable the engagement, interactivity and preparation of individuals to act responsibly, autonomously,creatively and competently.

 

 

Keywords: Experience. Alternative. Scholl21. School. Disrupt.

 

 

1 Introdução 

 

            A nova conjuntura advinda com a Quarta Revolução Industrial faz emergir uma necessidade de uma educação que consiga corresponder às demandas socioeconômicas através do uso das tecnologias emergentes.

            O avanço tecnicocientífico tem impactado a economia global e acentuado as mudanças sociais.

            A educação, no entanto, é marcada por suas características de conservadorismo, reagindo de forma lenta às mudanças globais.

            A incorporação das novas Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs) às escolas, não é garantia de práticas pedagógicas inovadoras; é necessária uma mudança de paradigmas e o estabelecimento de metodologias ativas.

            A sociedade hodierna usa a inteligência artificial em suas atividades diárias, há uma onipresença digital que precisa ser valorizada e orientada pelas práticas educativas, a fim de se romper com o ensino tradicional e construir uma sociedade do conhecimento que possa interagir e produzir digitalmente.

            O rompimento com os modelos tradicionais de educação formal, tem ocorrido por meio de experiências educativas alternativas, é improtelável a necessidade de uma educação 5.0, trataremos sobre isso a seguir.

 


2 Experiências educacionais alternativas

           

            Dissociar a prática educativa dos contextos sociais, ambientais, culturais, políticos e econômicos é incoerente e contraditório.

            A escola precisa acompanhar as mudanças globais ou tornar-se -á um espaço obsoleto e sem relevância socioeconômica.

            As mudanças tecnologias tem favorecido o desenvolvimento da prática educativa, a qual também precisa favorecer o desenvolvimento socioeconômico por meio de sua mediação com o conhecimento.

           

·                Educação 1.0 – as tecnologias utilizadas era lousa, giz, caderno, lápis e caneta.

·                Educação 2.0 – além das citadas em 1.0, há a utilização de mídias como o rádio, projetores de slides, videocassetes – tecnologias analógicas.

·                Educação 3.0 – além das citadas em 1.0 e 2.0 a utilização de computadores com uso da internet já se intensificam, e tecnologias digitais passam a ser incorporadas ao processo de ensino e aprendizagem.

·                Educação 4.0 – algumas tecnologias da 1.0 e 2.0 caem em desuso e tecnologias mobile conectadas em rede, armazenamento em nuvem e a utilização de computação cognitiva e de inteligência artificial ganham espaço na educação 4.0 e na web 4.0, (a qual entra no ano de 2020 em sua quarta geração segundo Aghaci Nemathaksh e Farsani (2012)).

·                Educação 5.0 – apoiada sob as bases da modernidade, inclusão, humanidade e, como não poderia deixar de ser, do mundo digital, segundo Fábio Rua (2019), incorpora metodologias ativas, ensino híbrido, educação individualizada e até intercambio educacional. (Costa, 2022, p.05)

 

A Quarta Revolução Industrial é marcada por constantes mudanças, já as escolas, parecem ter parado no tempo, um modelo de educação tradicional tem se repetido e seu impacto socioeconômico tem sido pouco relevante.

Neste contexto, surgem diversas experiências educacionais alternativas, buscando uma verdadeira revolução em suas propostas pedagógicas, que sejam capazes de promover domínio de conteúdo, capacidade de análise e desenvolvimento de habilidades importantes para a vida atual.

 

            2.1 Uma experiência no Vale do Silício

 

            Diesel (2018) destaca como experiência exitosa a escola que fica sediada em San Francisco, USA, no Vale do Silício; a ideia surgiu após Gever Tuller, cientista da computação, desenvolver um programa de verão chamado “summer camps”, o qual foi desenvolvido através de trabalhos manuais e produção de soluções concretas trabalhando criatividade, comunicação e cooperação.

            A proposta da Brightwook é focada no indivíduo e em seu desenvolvimento.

            Os projetos são desenvolvidos em três etapas distintas: exploração, expressão e projeto.

            Não há um currículo definido, os alunos não são submetidos a testes ou avaliações, e os professores não ensinam nenhum assunto específico.

 

            2.2 Uma experiência chamada Free School  

 

            Em 2010 grupos comunitários criaram as chamadas Free Schools (escolas livres), cuja proposta inicial é que estres grupos teriam a oportunidade de abrir uma escola com respostas específicas às necessidades locais, e poderiam juntamente com os pais, propor aspectos estruturais, pedagógicos, entre outros.

 

Um seminário organizado pelo National College em janeiro de 2012 definiu várias metas para as free schools e propôs perguntas sobre seu futuro:

·         Promover mudanças pela desregulamentação, incentivar o empreendedorismo e criar uma maneira de tornar o sistema acessível a jovens inteligentes que tenham ambição de trabalhar de modo diferente;

·         Mobilizar energia dentro das comunidades e engajar os pais, convencendo-os de que o sistema está do seu lado e que podem fazer a diferença;

·         Provocar as autoridades locais a tonar à medida que for necessária para melhorar as escolas locais, para que se tornem mais competitivas. (Inghan,2015, p.122)

 

Esta proposta pedagógica que integra a comunidade e desenvolve conhecimentos sobre empreendedorismo e outros que motivam jovens a desenvolver formas alternativas de trabalho, surge como uma alternativa ao modelo tradicional de escola que está se mostrando ineficiente em preparar os jovens para o trabalho e o empreendedorismo.

 

2.3 A experiência London Challenger     

 

Pequenas mudanças podem ser positivas, porém mudanças estruturais são fundamentais para que padrões melhores sejam alcançados. Dispor de dados de qualidade e fazer análises eficientes é fundamental para a tomada de decisões assertivas.

De acordo com Inghan (2015, p.134) inciativas como o London Challenge criaram parcerias entre escolas de alto e baixo desempenho.

As escolas de Londres apresentavam desempenhos muito ruins, e com as intervenções necessárias, encontram-se entre as melhores.

Ainda de acordo com Inghan (2015, p.134) os líderes nacionais de educação, começaram a trabalhar com os diretores cujas escolas estavam com maus resultados e ajudaram a melhorá-las.

As iniciativas se multiplicaram e seus resultados também.

 

 


 

3 A proposta da School 21 

 

            A Scholl 21 surge com o objetivo de fazer uma revolução no currículo escolar e na pedagogia, formando estudantes mais flexíveis e capazes de prosperar no séc. XXI.

            Criada por Peter Hyman, é financiada pelo Estado e localiza-se na região periférica londrina, onde grande parte de seus alunos são filhos de imigrantes.

           

A estratégia do projeto pedagógico dessa escola é levar seus alunos a dominarem conhecimentos de leitura, escrita, números e capacidade de analisar dados por meio de desafios e experiências. Mas observa-se que são trabalhadas outras habilidades não – cognitivas, importantes para o mundo atual. A pesquisa do mundo real é a principal forma de buscar conhecimento. (Bullentini e Damasio,2019, p.04)

 

            As Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs) fazem parte do cotidiano de escolas que se destacam no cenário atual, por serem importantes ferramentas no processo de aprendizagem autônoma e dinâmica.

            De acordo com Bullentini e Damasio (2019, p.05) o uso das novas tecnologias na School 21 é extenso, e os estudantes utilizam para analisar, escrever, refletir sobre os processos de aprendizagem, fazer pesquisas, além de usar aplicativos e jogos.

            Enquanto o sistema educacional tradicional oferece poucos estímulos para seus alunos e faz com que eles sejam apenas receptores de informações e conhecimentos, em sua maioria, nesta escola a preocupação com a interação está presente em todas as etapas.

 

A escola está preocupada em desenvolver competências como “falar, explicar, analisar, persuadir e saber escolher o comportamento ou conduta adequados para cada situação”, seja ela formal, informal, séria, divertida, emocional ou analítica. A escola oferece aulas para capacitar os estudantes a serem capazes de fazer apresentações orais, se expressar e se comunicar de forma clara. Essa habilidade permite que os estudantes aprendam a expressar suas emoções de forma clara dentro e fora da escola. “Estudam ainda o ritmo de declamação de poemas, realizam atividades de contação de histórias, piadas, retórica e debates. Durante o ano, os estudantes fazem apresentações públicas.” (Bullentini e Damasio,2019, p.05)

 

         Do ponto de vista curricular, a alteração mais significativa, como podemos perceber, é a oferta do serviço educacional que ocorre por meio de projetos e não por meio de disciplinas tradicionais.

            A mudança drástica neste currículo é com certeza uma evidencia de uma mudança disrupta, que teve como resultado o crescimento do engajamento dos estudantes diante dos desafios propostos.

 

4 Escolas disruptas, escolas para o século XXI

 

         A inovação disruptiva pode gerar riscos e incertezas para as organizações, isto porque envolve experimentação, flexibilidade, mudanças de recursos, tecnologias, resultados incertos, dentre outras coisas.

Porém, criar algo novo, pode trazer mudanças profundas e significativas para o mercado.

Uma maneira de implementar processos de inovação, de acordo com Bullentini e Damasio (2019, p.06) é aumentar o número de modelos de abordagem de clientes, tendo como base perfis bastante segmentados e específicos.

Os autores afirmam que para inovar, muitas vezes é necessário ter liberdade para averiguar diferentes dados de diversas áreas.

As escolas disruptas, surgem neste contexto de inovação, como um novo modelo de educação.

            O ambiente de aprendizagem, nestas escolas têm dinamicidade, engajamento, interatividade e prepara o indivíduo para atuar de forma responsável, criativa, autônoma e competente na sociedade.

            Um sistema escolar que utiliza a tecnologia como instrumento complementar de ensino, de acordo com Noemi (2018), permite que o aprendizado do aluno seja mais frutífero e eficaz.

            Já Bullentini e Damasio (2019, p.03) destacam que a falta de dinamismo no ensino provoca alta evasão escolar, desinteresse e formação de jovens com pouca qualificação e poucas ferramentas para buscar o sucesso profissional no mercado de trabalho.

 

A escola desempenha um papel ainda mais profundo e importante na formação dos jovens. Para que esses valores sejam integrados ao universo do aluno, a escola do século XXI oferece diversos instrumentos de desenvolvimento, como games, aplicativos, programação e robótica, que trabalham o estímulo constante de diversas competências do aluno, por exemplo: trabalho em grupo; autoconhecimento; comunicação; persistência; criatividade; raciocínio; convívio; lógica. Como você pode notar, a escola do século XXI busca uma abordagem inovadora e oferece experiências sociais e emocionais que podem ser muito interessantes aos alunos, até porque o incentivo à conexão com o mundo e suas atualidades é constante. (Noemi,2018)

 

            A escola disrupta apresenta mudanças estruturais que Inghan (2015, p.60) afirma, se sustentarem na crença de que é a escola e na escola que podem ser pensadas as melhore alternativas para responder aos desafios da realidade.

 

Dentre as principais mudanças conceituais na estrutura de ensino, cabe evidenciar três delas:

1.                  A relação do aluno e do professor é colaborativa e, por isso, a comunicação entre os dois é cada vez mais valorizada;

2.                  A tecnologia é uma aliada fundamental para o ensino e para a capacitação do aluno;

3.                  E a atenção com o mundo digital passa a empoderar a escola, o aluno e o professor de maneira consistente. (Noemi,2018, s.p.)

 

Com relação a isso Bullentini e Damasio (2019, p.04) assinalam que diversas experiências tem buscado adequar os sistemas educacionais aos tempos da quarta revolução industrial, de inteligência artificial e revolução na informática.

        

5 Considerações Finais

 

         A investigação de experiências educacionais alternativas, nos permitiu conhecer casos como: Brightwork School, Free School e London Challenger, dentre os quais foi observado que romperam com a educação tradicional apresentando propostas inovadoras que promoveram engajamento, empreendedorismo, criatividade e dinamicidade do processo de aprendizagem.

            Ao discorrer sobre a proposta pedagógica da escola School 21, percebemos que a mudança mais significativa foi com relação a sua proposta pedagógica que é totalmente voltada para a dinamicidade do processo educativo.

            Os alunos estudam através de projetos e desenvolvem habilidades cognitivas e não – cognitivas, mas também necessárias ao convívio social.

            Identificamos que as escolas disruptas apresentam um ambiente de aprendizagem dinâmico, que possibilita o engajamento, interatividade e preparação dos alunos para a atuação social de forma responsável, autônoma, criativa e competente.

         O ambiente de aprendizagem destas escolas é um ambiente inovador, onde as competências e habilidades são desenvolvidas de forma interativa com tecnologias digitais de informação e comunicação, bem como com inteligência artificial, de forma empreendedora e autônoma.   

            O estudo em questão, não se esgota em suas possibilidades, mas, amplia o debate sobre o assunto, sugerindo que outras questões e apontamentos sejam levantados, pois o tema é bastante relevante para o mercado educacional, e, portanto, merece maior investigação.

 

 

 

 

 

 

 

 

6 Referências Bibliográficas

 

Bullentini.E. Damasio.A.(2019) Inovação. [e-book]. Flórida: Must University.

Bullentini.E.Damasio.A.(2019) Estudo de caso na área de Educação: School 21. [e-book]. Flórida: Must University.

Costa. D. (2021) Educação 4.0. [e-book]. Flórida: Must University.

Diesel.F. (2018) Escola Inovadora no Vale do Silício baseada em engajamento. Disponível em: <https://www.youbilingue.com.br/blog/escola-inovadora-no-vale-do-silicio-baseada-em-engajamento/> Acesso em 23.05.2022.

Noemi.D.(2018) [Infográfico] Escola do século XXI: quais os desafios da educação. Disponível em: < https://escolasdisruptivas.com.br/escolas-do-seculo-xxi/escola-do-seculo-xxi/> Acesso em 20.05.2022.

Inghan.A. (2015) O sistema de Formação de Lideranças Escolares na Inglaterra – Possíveis Alternativas para o Brasil. Disponível em: < https://www.britishcouncil.org.br/sites/default/files/af554-14fis_british_council-fg.pdf> Acesso em: 20.05.2022.

 

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