quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

TECNOLOGIA ASSISTIVA NO CONTEXTO ESCOLAR

 


TECNOLOGIA ASSISTIVA NO CONTEXTO ESCOLAR

 

Rochelli Soares Pontes Milanez¹

 

 

 

Resumo:

 

 

Este estudo tem por objetivos: contextualizar o uso da tecnologia assistiva na escola; destacar a importância da tecnologia assistiva para a inclusão de alunos com deficiência; elencar alguns exemplos do uso de recursos de tecnologia assistiva na escola. O presente trabalho segue uma abordagem qualitativa, sendo um estudo baseado em livros digitais, anais publicados, artigos e diversas outras fontes disponíveis, assim, estabelecendo uma pesquisa bibliográfica. Entre os autores estudados, destacamos as contribuições de Sartoretto (2010), Giacomini (2010), Melo (2010) e Pereira (2015). O artigo está organizado em três capítulos. Este estudo nos permitiu compreender que os recursos pedagógicos de acessibilidade são fundamentais para a inclusão de alunos com deficiência, pois sejam eles de baixa ou de alta tecnologia, são selecionados para solucionar as dificuldades funcionais destes alunos. O uso de tecnologia assistiva na escola tem como objetivo minimizar ou excluir barreiras de aprendizagem. Entre as nossas conclusões destacamos que através da TA alunos com deficiência ou mobilidade reduzida podem ter acesso aos conteúdos de forma mais condizente com suas necessidades e ter sua aprendizagem garantida.

 

 

 

Palavras – chave: Tecnologia. Assistiva. Escolar.

 

 

 

Abstract:

 

 

This study aims to: contextualize the use of assistive technology at school; highlight the importance of assistive technology for the inclusion of students with disabilities; list some examples of the use of assistive technology resources at school. The present work follows a qualitative approach, being a study based on digital books, published proceedings, articles and several other available sources, thus establishing a bibliographic research. Among the authors studied, we highlight the contributions of Sartoretto (2010), Giacomini (2010), Melo (2010) and Pereira (2015). The article is organized into three chapters. This study allowed us to understand that accessibility pedagogical resources are fundamental for the inclusion of students with disabilities, as they are selected to solve the functional difficulties of these students, whether they are low or high technology. The use of assistive technology in school aims to minimize or exclude learning barriers. Among our conclusions, we highlight that through AT, students with disabilities or reduced mobility can have access to content in a way that is more consistent with their needs and have their learning guaranteed.

 

Keywords: Technology. Assistive. School.
 

 

1 Introdução

 

 

            Historicamente, as pessoas com deficiência têm enfrentado inúmeras barreiras sociais, no que tange à escolarização isto não é diferente.

            A escola é um lugar de acolhimento, que deve buscar a construção coletiva de uma pedagogia que parte das diferenças de seus alunos para impulsionar novas formas de organizar o ensino.

            O direito de acesso à Educação e a Informação estão previstos em nossa Constituição Federal, que em seu Artigo 5º declara que não deve haver distinção de qualquer natureza; declarando também que a livre expressão de atividade intelectual, artística, cientifica e de comunicação deve ser garantida.

            O Decreto Federal nº 5.296 de 1994 versa sobre a acessibilidade e sua garantia, assegurando a eliminação de barreiras nas comunicações e informações; promovendo a acessibilidade de pessoas com deficiência e /ou mobilidade reduzida.

 

A atual Política de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva propõe uma nova abordagem teórico – prática do ensino especial. Para exercer suas funções de acordo com os preceitos dessa nova orientação, o professor de educação especial volta-se para o conhecimento do aluno. Para isso ele precisa desenvolver a habilidade de observar e identificar as possíveis barreiras que limitam ou impedem o aluno de participar ativamente do processo escolar. (Sartoretto,2010, p.08)

 

            Neste contexto, a Tecnologia Assistiva pode ser entendida como

 

Uma área do conhecimento de característica interdisciplinar. Trata-se do fornecimento de recursos, serviços, produtos, recursos, metodologias, estratégias e práticas que objetivam promover a funcionalidade relacionada a atividade e participação de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social (Brasil,2007). O campo de atuação da TA é bastante amplo e demanda a participação direta de várias áreas [...]. (Pereira,2015, p.03)

 

 

            Desenvolver serviços, recursos e estratégias que auxiliam na resolução de problemas ou dificuldades funcionais na realização de tarefas pelas pessoas com deficiência é exatamente o que a tecnologia assistiva propõe.

             

2 A Tecnologia Assistiva e a Inclusão de Alunos com Deficiência 

 

         De acordo com Pereira (2015) os serviços de TA têm como principal função a formação do cidadão com alguma necessidade especial, de modo que ele se torne, além de informado, competente para a execução daquilo que é orientado e necessário.

            Para Sartoretto (2010) o professor deverá estar atento às características do aluno, aos objetivos educacionais pretendidos e assim, descrever a utilização de recursos pedagógicos de acessibilidade na escola.

            Os recursos pedagógicos de acessibilidade são fundamentais para a inclusão de alunos com deficiência, pois sejam eles de baixa ou de alta tecnologia, são selecionados para solucionar as dificuldades funcionais destes alunos.

            Recursos de baixa tecnologia são aqueles que podem ser confeccionados pelo professor de Atendimento Educacional Especializado (AEE) ou até mesmo pelo professor de sala regular, estes recursos são disponibilizados ao aluno que os utiliza na sala comum ou onde tiver necessidade.

            Já os recursos de alta tecnologia são recursos que precisam ser adquiridos pela escola, por exemplo: teclado expandido, mouses especiais, acionadores e etc.

 

Muitos alunos podem apresentar dificuldades na fala ou na escrita devido a impedimentos motores, cognitivos, emocionais ou de outra ordem. Essas restrições funcionais impedem os alunos com deficiência de expressar seus conhecimentos, suas necessidades, seus sentimentos, e é bastante frequente que as famílias e as pessoas em geral confundam tais restrições com a impossibilidade de conhecer, de aprender, de gerenciar a vida, de ser sujeito da própria história. (Sartoretto,2010, p.21)

 

 

            Para ampliar ou promover uma via alternativa de comunicação para estes alunos, a Tecnologia Assistiva apresenta uma área específica denominada de Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA) a qual é destinada a pessoas sem fala, sem escrita funcional ou em defasagem comunicativa.

            De acordo com Sartoretto (2010) a CAA possibilita a construção de novos canais de comunicação, através da valorização de todas as formas expressivas de comunicação que o aluno já possui.

Pereira (2015) assinala que as estratégias da CAA devem ser personalizadas de acordo com a necessidade dos alunos, principalmente considerando que a comunicação é um processo que exige tempo e maturidade. 

A CAA amplia o repertório comunicativo que envolve habilidades e necessidades que corroboram para o entendimento de conteúdos e resolução de atividades, potencializando a aprendizagem de alunos com deficiência e incluindo-os efetivamente no processo de aprendizagem. Promovendo também a interação com seus pares, o que possibilita trocas significativas para a aprendizagem e desenvolvimento cognitivo e socioafetivo.

            As estratégias, de acordo com os autores, devem ter início bem antes da escolha ou da construção do recurso, estabelecendo critérios que atendam às necessidades específicas para evitar o abandono do recurso de tecnologia assistiva.

            A inclusão de alunos com deficiência demanda constantes mudanças, a cada nova etapa educativa novas necessidades vão surgindo, outros desafios são apresentados, e alguns problemas persistem, exigindo que novos recursos sejam utilizados, novas estratégias sejam pensadas.

           

Quando afirmamos que o recurso deve ser selecionado com o aluno, estamos nos colocando ao lado dele, prestando atenção às suas necessidades, identificando as suas possibilidades, reconhecendo suas limitações e, junto com ele, selecionando e oferecendo o recurso de CAA, que, naquele momento e para aquela situação é mais indicado. (Sartoretto,2010, p.51)

 

 

            Os professores precisam ser capazes de elaborar estratégias, criar recursos e analisar os percursos de aprendizagem respeitando as necessidades especiais dos alunos, porém potencializando suas aprendizagens, eliminando ou diminuindo as barreiras.

Estas barreiras podem ser temporárias ou permanentes e podem impedir ou dificultar o desenvolvimento holístico do aluno.

 

3 Exemplos de uso de tecnologia assistiva na escola

 

            Como mencionamos anteriormente, o uso de tecnologia assistiva na escola tem como objetivo minimizar ou excluir barreiras de aprendizagem. Através da TA alunos com deficiência ou mobilidade reduzida podem ter acesso aos conteúdos de forma mais condizente com suas necessidades e ter sua aprendizagem garantida.

 

A tecnologia assistiva permite hoje que a escrita aconteça pelo simples movimento dos olhos. O aluno controla o deslocamento do cursor, levando-o para qualquer área do monitor, através do direcionamento do olhar; ao fixar o olhar em um ponto determinado, acontece o “clique” e a escrita é produzida pela ativação das letras, em um teclado virtual. (Sartoretto,2010, p. 15)

 

Observe na figura 01 a utilização de um recurso de tecnologia assistiva por um aluno para realizar uma atividade no computador.

 

Figura 1- Criança usando mouse adaptado

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: http://tassistiva.blogspot.com/2013/11/recursos-de-acessibilidade-ao-computador.html

 

         De acordo com Pereira (2015) projetos arquitetônicos para acessibilidade são projetos pensados e desenvolvidos para proporcionar acessibilidade de portadores de deficiência ou dificuldade física e sensorial.

Na figura 02 é possível observar um corredor de uma escola adaptado para cadeirantes e também com piso tátil para sinalização e orientação de pessoas cegas.

            Figura 2- Pátio de uma escola pública

 

 

 

 

 

 

Fonte:https://www.capaobonito.sp.gov.br/wp-content/uploads/2020/02/foto-4-rampas-e-obras-de-acessibilidade-na-escola-balanga.jpg

 

            Este tipo de acessibilidade é fundamental para que os alunos com deficiência ou mobilidade reduzida possam acessar a todos os espaços escolares com segurança, conforto e autonomia, de acordo com suas possibilidades e possam participar de todas as atividades propostas para sua aprendizagem escolar.

           

A preocupação pela acessibilidade espacial na escola é parte de um conjunto de ações que compõem um profundo processo de reflexão sobre as funções que a escola deve desempenhar no momento atual. Pensar em acessibilidade espacial, na escola, só terá sentido se as decisões que forem implementadas resultarem em melhores condições de aprendizagem e em melhor qualidade de vida, não são para os usuários diretos destas adequações, os alunos com deficiência, mas para a comunidade escolar como um todo. (Giacomini,2010, p.40)

 

            A autora destaca ainda, que os recursos de adequação postural e mobilidade tem efeito direto na aprendizagem; na figura 03 é possível observar que o aluno utiliza uma carteira adaptada com uma poltrona postural com vários acessórios que facilitarão a estabilidade da postura: apoio da cabeça, contenção do tronco e das pernas e cintos.

Figura 3 - Carteira adaptada

           

 

 

 

 

 

 

Fonte: https://www.al.to.leg.br/imagens/06138f91737414207857f3a4f1f3ed00.jpg

 

            Melo (2010, p.07) afirma que recursos de informática podem ser utilizados como alternativas a instrumentos usados no cotidiano escolar (ex: livro, caderno, lápis, agenda, mural, dentre outros) e ter seu acesso facilitado pela configuração de hardware e de software, além de recursos de Tecnologia Assistiva.

            Com relação a isso, Pereira (2015) destaca que na educação, a Tecnologia Assistiva está presente em coisas simples e baratas como um lápis engrossado em E.V.A ou em algo mais caro como a criação, edição ou mesmo a compra de softwares.

            A Politica Nacional de Educação Especial na perspectiva inclusiva institui a acessibilidade a livros e também a acessibilidade em bibliotecas de todo o país, através da aquisição de softwares que possibilitam aos alunos com deficiências ou prejuízos sensoriais o acesso aos mais variados conteúdos e livros.

            Melo (2010) lista os seguintes formatos de livros acessíveis:

·         Livros digitais em texto;

·         Livros Formatados para impressão Braille;

·         Áudio livros;

·         Livros no formato DAISY;

·         Livros com letras ampliadas;

·         Livro em Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS);

·         Livros na perspectiva do Desenho Universal.

 

O formato DAISY é um tipo de livro digital e consiste, em síntese, num sistema de processamento de dados, através do qual se pode ter acesso ao conteúdo ortográfico ou áudio livro gerado nesse padrão. A apresentação do texto pode ser configurada, inclusive para a impressão Braille e para acesso com a linha Braille; oferece maior segurança para a proteção dos Direitos Autorais; é o formato mais completo existente: em um único dispositivo, pode contemplar todos os demais. Recentemente, o Ministério da Educação lançou o software Mecdaisy, de distribuição gratuita, que reproduz textos neste formato. (Idem, 2010, p. 12)

 

 

            O livro acessível permite ao leitor acesso ao conteúdo dos livros em diversas situações e locais; na figura 04 o aluno cego, lê no computador um livro no formato Daisy.

 

Figura 4-Leitura em Livro formato Dayse

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: https://redeleiturainclusiva.org.br/wp-content/uploads/2015/03/rede-de-leitura-inclusiva-livro-daisy2-624x312.jpg

 

Reverberamos o que Pereira (2015, p.09) destaca, é necessário um planejamento comum entre gestores e professores das classes comuns e das salas de recursos, na tentativa de fazer com que as tecnologias disponíveis sejam sempre utilizadas de forma assistiva para aqueles estudantes que dependem delas.

 

4 Considerações Finais

 

              

Este estudo nos permitiu compreender que os recursos pedagógicos de acessibilidade são fundamentais para a inclusão de alunos com deficiência, pois sejam eles de baixa ou de alta tecnologia, são selecionados para solucionar as dificuldades funcionais destes alunos.

O uso de tecnologia assistiva na escola tem como objetivo minimizar ou excluir barreiras de aprendizagem, para tanto, é imprescindível que o professor estabeleça uma comunicação direta e uma observação minuciosa das necessidades deste aluno.

Entre as nossas conclusões destacamos que através da TA alunos com deficiência ou mobilidade reduzida podem ter acesso aos conteúdos de forma mais condizente com suas necessidades e ter sua aprendizagem garantida.

 

5 Referências Bibliográficas

 

Pereira. A.C.de S. (2015) Categorias da Tecnologia Assistiva. [e-book] Florida: Must University.

Pereira. A.C.de S. (2015) Tecnologia Assistiva na Educação. [e-book] Florida: Must University.

Pereira. A.C.de S. (2015) Formação de professores para inclusão digital. [e-book] Florida: Must University.

Melo. A. M. A (2010) Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: livro acessível e informática acessível. Fortaleza: UFC.

Giacomini.L. (2010) Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: Orientação e Mobilidade, Adequação Postural e Acessibilidade Espacial. Fortaleza: UFC.

Sartoretto.M.L. (2010) Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: Recursos Pedagógicos Acessíveis e Comunicação Aumentativa e Alternativa. Fortaleza: UFC.

Acesso em 18.08.2022.

 

 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

ENSINO REMOTO: DESAFIOS E POSSIBILIDADES NO USO DA WEB 2.0

 


ENSINO REMOTO:

DESAFIOS E POSSIBILIDADES NO USO DA WEB 2.0

 

 

Rochelli Soares Pontes Milanez[1]

 

Resumo:

 

Esta pesquisa buscou, de forma qualitativa, elencar alguns desafios e possibilidades do uso da Web 2.0 no Ensino Remoto, refletindo sobre as seguintes questões: Quais as contribuições da integração dos recursos digitais da web para as práticas educacionais remotas? Quais recursos digitais você destaca como fundamentais para essas práticas de ensino não presenciais? Nesta perspectiva, analisamos um estudo de caso publicado no Periódico de Produção Cientifica Acadêmica MUST Reviews. Dialogamos com alguns autores para fundamentar nossa investigação e tecemos algumas considerações a respeito do tema. Foi possível compreender que o uso das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs) foi indispensável para que o ensino e aprendizagem acontecesse no período pandêmico, no qual se estabeleceu o ensino remoto. Estes recursos digitais tornaram-se ainda mais difundidos neste período, onde muitos professores foram desafiados a produzir materiais utilizando estas ferramentas para poder ensinar. O contexto educacional vigente pode ser enriquecido com pesquisas como esta, que podem servir de subsídios para reflexões e investigações futuras. 

 

Palavras-chave: Ensino. Remoto. Web 2.0. Tecnologias.

 

Abstract

 

This research sought, in a qualitative way, to list some challenges and possibilities of using Web 2.0 in Remote Teaching, reflecting on the following questions: What are the contributions of the integration of digital web resources to remote educational practices? What digital resources do you highlight as fundamental to these non-face-to-face teaching practices? In this perspective, we analyzed a case study published in the Journal of Scientific Academic Production MUST Reviews. We dialogued with some authors to base our investigation and we made some considerations about the theme. It was possible to understand that the use of Digital Information and Communication Technologies (TDICs) was essential for teaching and learning to take place in the pandemic period, in which remote teaching was established. These digital resources became even more widespread in this period, where many teachers were challenged to produce materials using these tools in order to teach. The current educational context can be enriched with research like this, which can serve as subsidies for future reflections and investigations.

 

Keywords: Teaching. Remote. Web 2.0. Technologies.

1 Introdução

 

 

A Pandemia da Covid 19 impactou as formas de relacionar-se em todo o mundo, e a educação sofreu um impacto significativo, uma vez que foram necessárias a adaptação do ensino, a adoção de novas práticas educativas e a mudança do próprio ambiente educativo.       

Neste novo contexto educativo foi necessário buscar novos recursos e ferramentas para o ensino remoto, analisando quais recursos seriam fundamentais para desenvolver estas novas práticas e consequentemente foi necessária uma aprendizagem também por parte dos professores, os quais aprenderam na prática como utilizar estes recursos que até então eram utilizados apenas como fonte de pesquisas para aprimoramento de suas práticas.

Objetivando elencar alguns desafios e possibilidades da utilização da Web 2.0 para o ensino remoto, discorremos sobre as contribuições da integração dos recursos digitais da web para as práticas educacionais remotas; buscamos ainda evidenciar as ferramentas/recursos digitais foram fundamentais para as práticas de ensino não presencial.

A metodologia adotada foi a revisão bibliográfica, por meio da qual obtivemos um aporte teórico que balizou nossas análises sobre o estudo de caso escolhido para referenciar a pesquisa. 

 

2 A Utilização da Web 2.0 no Contexto Educacional

 

 

         A World Wide Web (Web) em sua segunda versão, também conhecida como Web Social, alterou de forma bastante significativa a forma como os utilizadores começaram a lidar com as novas ferramentas digitais disponibilizadas.

            As ferramentas disponíveis relacionam-se com o contexto de aprendizagem de forma novas produções foram possíveis, bem como o desenvolvimento de uma metodologia ativa baseada no uso de tecnologias digitais de informação e comunicação.

Santos (2018) destaca que as interações entre os usuários na Web 1.0 eram bem poucas, sendo que as páginas eram estáticas e apresentavam escassas possibilidades de produção de conteúdo pelos usuários, sua maior finalidade era ser repositório de conteúdo.

A autora destaca ainda que a Web 2.0 promoveu uma revolução nas interações entre os sujeitos, as quais foram bastante impulsionadas, assim como a produção de conteúdos pelos usuários; salientando que a Web 3.0 é considerada como a web da transformação de informação em conhecimento.

A integração das TDC e da internet na educação deve ser suporte ou meio de modificação de práticas pedagógicas, perpassando o uso crítico e consciente desses meios pela comunidade escolar. (Santos,2018)

Embora saibamos da importância da utilização destas tecnologias disponíveis para o ensino, sabemos também que antes da pandemia, esta ainda era uma realidade presente em poucas escolas, principalmente na rede publica de ensino.

 

O período de pandemia com a paralisação compulsória das atividades escolares trouxe, inevitavelmente, ao centro do debate educacional, o uso das tecnologias educacionais para realização de atividades escolares não presenciais, bem como a questão da formação e instrumentalização dos professores para atender a essa nova demanda. Portanto, estamos historicamente vivenciando uma necessidade, que já era urgente, porém tornou-se essencial para manutenção, que é um movimento de discussão e defesa de investimento maciço, tanto em Políticas Sociais – uma vez que a igualdade e equidade de acesso aos bens sociais conversam com esta questão, quanto em Políticas Educacionais e de formação e valorização docente. Apenas munidos por este cenário e tendo desenvolvido competências necessárias para o letramento em cultura digital dos professores poderemos adotar com tranquilidade os recursos digitais auxiliares da aprendizagem. (Monteiro,2020, s.p.)

 

Se a formação de professores para o uso e inclusão das TDIC no ensino remoto foi um grande desafio, outro desafio diz respeito a seleção de ferramentas para utilizar nesta modalidade de ensino.

Santos (2018) salienta que sobre o uso das ferramentas da web, o primeiro olhar consiste na seleção de quais ferramentas podem ser melhor utilizadas considerando os objetivos de aprendizagem, a adequação curricular e o interesse dos discentes.

De acordo com Monteiro (2020) propor uma metodologia ativa, onde o aluno é o personagem principal e o maior responsável pelo processo de aprendizagem passou a ser um grande desafio para a equipe de professores

Para Leitão e Cavalcante (2020) celulares, tablets, notebooks passaram a ser ressignificados e não serão mais vistos como concorrentes do ensino, não mais como equipamentos que distraem o aluno, mas como ferramentas de aprendizagem, como aliados do processo de ensino.

A mudança de práticas pedagógicas é com certeza a principal contribuição dos meios digitais para a educação.

 

As redes sociais, os blogs, as wikis, as tags, mapas e outros serviços e conteúdo, desenvolvidos pelos próprios usuários, são recursos riquíssimos para envolver e conectar os alunos. E todas essas ferramentas podem ser acessadas gratuitamente, necessitando apenas de uma boa conexão com a Internet e de um navegador. Os alunos podem armazenar e produzir informações, individual ou colaborativamente. (Grossi,2018, p.42)

 

Há uma mudança de perspectiva no ensino remoto, pois as metodologias ativas implicam numa postura diferente tanto para professores, quanto para alunos. O professor deixa de lado as aulas expositivas e centradas apenas em suas exposições orais para adquirir competências e fazer uso de diferentes recursos tecnológicos com o uso de múltiplas linguagens.

Santos (2018) destaca que após as modificações e adequações quanto aos objetivos de aprendizagem, uma mesma ferramenta poderá ser utilizada em diferentes contextos de aprendizagem.

Nunes e Pires (2020) assinalam em seu estudo que ferramentas como o Google Meet, Google Drive, Google Sala de Aula, Gmail, Google Formulários, Google Documentos, Google Apresentações e AVA Moodle foram fundamentais para o desenvolvimento das atividades pedagógicas durante o ensino remoto.

Monteiro (2020) discorre sobre as práticas de ensino remoto, elencando o uso de diversas ferramentas tecnológicas, destacando que os professores foram introduzindo novos instrumentos em suas estratégias pedagógicas para o ensino remoto. Dentre os recursos destacados estão: WhatsApp, Youtube, Google Meet, Google Forms; Planilhas; Google Slides; Google Drive; Trello; Padlet; G- Suite.

O uso da plataforma de aprendizagem Nearpod se revelou nesse período como uma grande aliada na promoção da participação discente em aulas remotas, de acordo com Leitão e Cavalcante (2020).

Observamos que entre as experiências investigadas, as ferramentas do Google foram fundamentais para o ensino remoto, seja nos níveis básicos, seja nos níveis superiores.

O Google, de acordo com Grossi (2018), está sempre surpreendendo com seus instrumentos de integração social com uso de ferramentas coletivas que se associam à educação; possui uma visão voltada à acessibilidade e usabilidade de seus aplicativos.

 

 

 

3 A integração dos recursos digitais com a prática de ensino remoto: a experiência de Mato Grosso

 

 

            Após o levantamento do aporte teórico, passamos à análise de um estudo de caso publicado no Periódico de Produção Científica Acadêmica MUST Reviews sob o título “Aulas Remotas em Tempos de Pandemia: Experiências de Professoras Acerca dos Desafios na Produção de Materiais para o Meio Digital.”

            O estudo de caso aborda os desafios dos educadores do ensino médio, das escolas estaduais, do município de Sinop, estado de Mato Grosso, quando da preparação de materiais e mediação de aulas remotas.

            De acordo com Machado e Octaviani (2022), autoras do estudo, as Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs), tornaram-se ferramentas indispensáveis para que o ensino e a aprendizagem acontecessem.

             Corroborando com o entendimento de Santos (2018) que afirma que os Ambientes Virtuais de Aprendizagem podem se tornar meros repositórios de trabalhos acadêmicos caso não haja a medicação pedagógica; as autoras destacam que professores foram obrigados a reestruturar toda a maneira de ensinar, adotando medidas que possibilitassem levar aos alunos o ensino a distância.

Diante deste contexto de tantas incertezas, concluiu-se que os métodos de ensinar passaram por grandes transformações. Ressalta-se, aqui, que as TDICs, se mostraram grandes aliadas, seja pela impossibilidade dos meios convencionais, seja pelas transformações oriundas da própria sociedade tecnologicamente globalizada. O fato é que não seremos mais os mesmos, muito embora esse contexto pandêmico nos remeta a uma excepcionalidade.  [...] o formato de aula em que se utiliza das tecnologias digitais mostrou-se muito vantajosa, como a flexibilidade de horário, qualidade do ensino, formato de avaliação e os recursos disponíveis. (Machado e Octaviani, 2022, p. 283,284)

 

            As autoras relatam que a Secretaria de Estado de Educação do Mato Grosso (SEDUC – MT), disponibilizou o aplicativo Teams, adotando-o como plataforma de aprendizagem para mediar as aulas remotas em todo o estado, mas posteriormente outros recursos tecnológicos foram implantados, dentre eles: WhatsApp, Zoom Meeting, Microsoft Teams e o Google Meet.

            Sobre isso, Santos (2018) e Monteiro (2020) tem o mesmo entendimento, ambas afirmam que os professores tem como desafio selecionar quais ferramentas podem ser melhor utilizadas.

 

4 Considerações Finais

 

No tocante ao uso dos recursos digitais da web para o desenvolvimento das práticas metodológicas durante o ensino remoto, é possível afirmar que a educação encontra uma nova realidade socioeconômica e cultural, a qual ressignificou o ensino e as ferramentas utilizadas neste processo.

Os desafios encontrados no ensino remoto estiveram relacionados ao próprio fazer pedagógico e estiveram diretamente ligados à escolha do recurso mais adequado e a perspectiva de utilização da web 2.0 como ferramenta que poderia auxiliar no ensino.

Dentre as possiblidades, foi possível verificar que as contribuições das ferramentas da web 2.0 foram utilizadas desde a divulgação de como seria nesta nova modalidade de ensino, até mesmo para a produção de material didático.

O processo de produção de material e de mediação da aprendizagem foi enriquecido pelo uso de ambientes virtuais de aprendizagem (AVA), aplicativos, redes sociais e etc.

Com relação à experiencia analisada, foi possível compreender que o uso das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs) foi indispensável para que o ensino remoto fosse desenvolvido.

            Os recursos digitais disponíveis para a educação foram mais difundidos neste período, pois os professores foram desafiados a produzir materiais e mediar situações de aprendizagem a partir de suas casas, utilizando os recursos da web 2.0.

            O contexto educacional vigente pode ser enriquecido com pesquisas sobre o tema, sugerimos que investigações futuras sejam realizadas sobre o tema, incluindo questionamentos como a aplicabilidade destes recursos para diferentes níveis da educação.

 

4 Referências Bibliográfica

 

Grossi, M. G. R., M, F. C.e Silva, M. D. (2018). A aplicabilidade das ferramentas digitais da web 2.0 no processo de ensino e aprendizagem. Revista Contexto & Educação33(104), 34–59. Disponível em https://doi.org/10.21527/2179-1309.2018.104.34-59 . Acesso em 20.09.2022.

 

Leitão, A. e Cavalcanti,J. (2020) A Nearpod como Otimizadora da Interação: Relatos de experiências. Disponível em: < https://editora.iesp.edu.br/index.php/UNIESP/catalog/view/18/78/253-1> Acesso em 20.09.2022.

 

Machado.M. e Octaviani.M.I.C.(2022). Aulas remotas em tempos de pandemia: experiencias de professores acerca dos desafios na produção de materiais para o meio digital. Periódico de Produção Científica Acadêmica MUST Reviews. (14),265 -285.

 

Monteiro, E.C. (2020). Educação na Pandemia: A experiência de uma escola da rede municipal de ensino de Campina Grande (PB). Disponível em: < https://editorarealize.com.br/editora/anais/conedu/2020/TRABALHO_EV140_MD1_SA19_ID1164_01092020164644.pdf>. Acesso em 20.09.2022.

 

Nunes, C. B. de M.P.; PIRES, A.K.. Aulas a Distância na Quarentena: Um Relato de Experiência sobre o Uso de TDICs no Ensino Fundamental Anos Finais. In: CONGRESSO SOBRE TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO (CTRL+E), 5., 2020, Evento Online. Anais [...]. Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Computação, 2020. p. 1-10. Disponível em: < https://doi.org/10.5753/ctrle.2020.11377.> Acesso: 20.09.2022.

 

Santos,P.C.(2018). Contextos de Aprendizagem: Web 2.0 e o contexto escolar. [e-book]. Flórida:  Must University

 

Santos,P.C.(2018). Comparações entre web 1.0,2.0 e 3.0 [e-book]. Flórida:  Must University

 

Santos,P.C.(2018). Web 1.0,2.0 e 3.0: transformações no uso da internet [e-book]. Flórida:  Must University .



[1] Licenciada em Pedagogia. Especialista em Educação Especial e Psicopedagogia Clínica e Institucional. Mestranda em Tecnologias Emergentes em Educação pela Must University. E-mail: rochellisp@gmail.com

Descontração na acolhida